6º PRÊMIO CNI SESI SENAI MARCANTONIO VILAÇA PARA AS ARTES PLÁSTICAS

Trabalhos do artista Sérvulo Esmeraldo e de mais 11 artistas compõem a exposição “A Intenção e o Gesto”, parte do Projeto Arte e Indústria, realizado paralelamente ao Prêmio desde 2014

Por Luis H Andrade*

Quem acompanha o ambiente das artes visuais no Brasil sabe: ser premiado pelo Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas é um presente para qualquer artista. Além de valores em dinheiro, os vencedores veem suas obras circularem por todas as regiões do País, recebem acompanhamento de crítico ou curador durante um ano e, de quebra, inserem o nome na seleta lista dos ganhadores de uma das mais relevantes e prestigiadas premiações da arte brasileira. A partir de agora, o público de Brasília vai poder conhecer os eleitos da sexta edição do Prêmio. Uma exposição com os trabalhos dos artistas vencedores fica no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça do Tribunal de Contas da União (TCU) de 24 de outubro a 22 de dezembro.

 

Com curadoria de Marcus de Lontra Costa, a mostra não vem sozinha. Além dos trabalhos dos cinco laureados – Daniel Lannes (Rio de Janeiro), Fernando Lindote (Santa Catarina), Jaime Lauriano (São Paulo), Pedro Motta (Minas Gerais) e Rochelle Costi (São Paulo) – o TCU apresenta a terceira edição do ‘Projeto Arte e Indústria’, exibindo a obra do grandeartista cearense Sérvulo Esmeraldo, homenageado desta edição, em diálogo com 11 artistas contemporâneos. Um passeio pela arte contemporânea brasileira, por suas reflexões, provocações e surpresas.

 

O PRÊMIO – O Prêmio CNI SESI SENAI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Considerado um dos mais tradicionais e respeitados prêmios do país – apontado por muitos como a principal premiação do campo das artes visuais brasileiras –, foi criado em 2004, e, ao longo de seis edições, já premiou 30 artistas e três curadores.

 

A cada edição, o prêmio contempla cinco artistas, que recebem bolsa para o desenvolvimento de projetos e têm a produção acompanhada por um crítico ou curador de arte. Ao fim dessa etapa, as obras criadas são reunidas em exposições itinerantes e, posteriormente, doadas ao acervo de instituições culturais. A partir da 5ª edição (2015-2016), curadores também passaram a receber premiação, conquistando uma bolsa para organizarem uma exposição.

 

PROJETO ARTE E INDÚSTRIA – Em paralelo à exposição do Prêmio, é realizado, desde 2014, o ‘Projeto Arte e Indústria’, que está em sua terceira edição. Segundo o curador Marcus de Lontra Costa, o projeto deseja homenagear artistas cujos processos de criação estão relacionados à produção industrial. Depois de Abraham Palatnik e Amélia Toledo, desta vez o destaque será o escultor, gravador, ilustrador e pintor Sérvulo Esmeraldo, cuja obra reflete a simbiose entre a arte e a indústria. O caráter concretista do trabalho do artista e a utilização de materiais industriais aliados à luminosidade, humor e leveza típicos dos trópicos e tão presentes em seus trabalhos explicitam o pensamento ousado e criativo tão necessário à inovação e desenvolvimento da indústria.

 

EXPOSIÇÃO ‘A INTENÇÃO E O GESTO’ – Formada pelas obras de Sérvulo Esmeraldo (falecido em fevereiro último) em diálogo com trabalhos de onze artistas contemporâneos – Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchôa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira.

 

MARCANTONIO VILAÇA – A personalidade que dá nome ao prêmio nasceu em Recife, em 30 de agosto de 1962. Em 1992, inaugurou em São Paulo a galeria Camargo Vilaça, com a sócia Karla Meneghel, que acabou se tornando a mais importante referência para a arte brasileira nos anos 1990 e promovendo a projeção internacional da arte contemporânea brasileira. Marcantonio Vilaça morreu precocemente no dia 1º de janeiro de 2000, aos 37 anos de idade, em Recife. Como reconhecimento aos inestimáveis serviços prestados à cultura, o governo brasileiro outorgou-lhe (post mortem) a mais alta condecoração do país, a Ordem do Rio Branco.

 

CENTRO CULTURAL DO TCU – Ciente da importância da cultura e de sua influência em nossa percepção de mundo, o Centro Cultural do Tribunal de Contas da União mantém uma política de contínua realização de eventos, oferecendo à sociedade brasiliense oportunidades relevantes de acesso à cultura e ações educacionais comprometidas com a criatividade e a valorização da cidadania. Com novas instalações, o Centro Cultural do TCU faz parte do Instituto Serzedello Corrêa (ISC) – Escola Superior do TCU e é integrado pelo Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, pelo Museu do TCU Ministro Guido Mondin, pelo Programa Educativo do TCU e pela Biblioteca de Arte Marcantonio Vilaça, dispondo ainda de espaços para reserva técnica e um auditório com capacidade para 498 pessoas. O local mantém aberta à visitação a exposição “TCU – a Evolução do Controle” do Museu do TCU Guido Mondin, que narra a trajetória do controle de contas desde o século XIII, em Portugal, e segue com a criação do Tribunal em 1890 até os dias atuais.

Todas as exposições que ocorrem no Centro Cultural do TCU são inseridas no Programa Educativo desenvolvido pelo Tribunal. Trata-se de um projeto permanente que promove visitas orientadas diárias e programadas ao Museu do TCU e ao Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, fornecendo material educativo, lanche e transporte para alunos de instituições públicas de ensino do Distrito Federal.

 

OS ARTISTAS

 

VENCEDORES DO 6º PRÊMIO MARCANTONIO VILAÇA

 

DANIEL LANNES (Niterói, RJ, 1981).

Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Bacharel em Comunicação Social pela PUC-Rio. Já realizou individuais no Rio de Janeiro (em espaços como o MAM – Museu de Arte Moderna) e São Paulo (Centro Cultural São Paulo). Em coletivas, seus trabalhos também puderam ser vistos em Brasília e na Califórnia/EUA. Premiado com o prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2012, indicado ao PIPA em 2011 e 2012, selecionado para a Short List do livro “100 Painters of Tomorrow”, editora Thames & Hudson, 2013, foi ganhador do Prêmio Novíssimos do Salão de Arte IBEU, Rio de Janeiro, 2010. Tem obras em coleções públicas de espaços como o MAR – Museu de Arte do Rio de Janeiro e o MAM-Rio.

 

FERNANDO LINDOTE (Sant’Ana do Livramento, RS, 1960)

Vive e trabalha em Florianópolis. Transita em várias linguagens: pintura, escultura, vídeo, instalação e desenho. Realizou individuais no Museu de Arte do Rio/MAR/2015; na Galeria Flávio de Carvalho, FUNARTE, São Paulo; no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, no Instituto Tomie Ohtake, no Museu da Gravura, em Curitiba/2000; dentre outras. Participou de coletivas celebradas como  “MAC no Século 21 – A Era dos Artistas”, no MAC SP/SP; “10ª Bienal do Mercosul”/2015; “A Cor do Brasil”, Museu de Arte do Rio de Janeiro/MAR/2015; “29º Bienal Internacional de São Paulo”/2010; e “Clube da Gravura” do MAM São Paulo/2009. Recebeu o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça/FUNARTE em 2013, 2011, 2010 e 2009; o Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio 2013; Prêmio Aquisição, 2º Prêmio Pirelli Pintura Jovem em 1985; Prêmio 4 º Jovem Arte Sul América em 1984. Possui obras em importantes acervos como Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), Museu de Arte Contemporânea do Paraná, dentre outros.

 

JAIME LAURIANO (São Paulo, SP, 1985)

Vive e trabalha em São Paulo. Graduou-se pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Com trabalhos, Jaime Lauriano convoca o espectador a examinar as estruturas de poder contidas na produção da História. Em peças audiovisuais, objetos e textos críticos, o artista evidencia como as violentas relações mantidas entre instituições de poder e controle do Estado – como polícias, presídios, embaixadas, fronteiras – e sujeitos moldam os processos de subjetivação da sociedade. Entre suas exposições mais recentes, destacam-se individuais no Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro, Centro Cultural São Paulo, Sesc/São Paulo, e coletivas como 10TH Bamako Encouters, Museu Nacional, Bamako, Mali (2015), Empresa Colonial, Caixa Cultural, São Paulo (2015), Tatu: futebol, adversidade e cultura da caatinga, Museu de Arte do Rio (MAR), 2014. Tem trabalhos nas coleções públicas da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e do MAR – Museu de Arte do Rio.

 

 

PEDRO MOTTA (Belo Horizonte, MG, 1977)

Vive e trabalha em São João Del Rei, Minas Gerais. Formou-se em Desenho pela Escola de Belas Artes da UFMG em 2002, usa a fotografia como suporte para seus trabalhos – o artista desenha e manipula digitalmente as imagens. Realizou exposições individuais em Belo Horizonte, Paris, Lisboa, São Paulo e Montevideo. Em coletivas, seu trabalho já foi visto no Phoenix Art Museum (EUA), Museu de Arte do Rio de Janeiro, Centre d’art Contemporain de Meymac (França), I Bienal de Fotografia MASP, Panorama da Arte Brasileira, MAM-São Paulo, dentre várias outras instituições de prestígio. Integrou a 5ª Bienal Internacional de Fotografia e Artes Visuais de Liège, Bélgica (2006) e Fotografia Contemporânea Brasileira, Neue Berliner Kunstverein, Berlim, Alemanha (2006).

 

ROCHELLE COSTI (Caxias do Sul, RS, 1961).

Vive e trabalha em São Paulo. Artista que trabalha com fotografia, vídeo e instalação. Sua concepção de fotografia, como forma de colecionar, é refletida diretamente em seu trabalho, geralmente organizado em séries. A artista mistura fotografias com outras formas de expressão e muitas vezes as leva para a instalação. Trabalha com escalas diferentes e as confronta em suas imagens. Destacam-se as exposições individuais realizadas no Instituto Tomie Ohtake, no Centro Cultural São Paulo e na Casa da Imagem (2012), e participação nas 24ª e 29ª Bienal Internacional de São Paulo (1998 e 2010), nas 6ª e 7ª Bienal de La Habana (2000 e 2002), no Centro de Arte Reina Sofia (Madri, 2000), no El Museu del Barrio (Nova York, 2001) na 11th International Architecture Exhibition (Veneza, 2008), na I Bienal del Fin del Mundo (Ushuaia, 2008), na 1ª Trienal de Fotografia Masp/ Piirelli (2013), dentre outras.

 

 

O HOMENAGEADO

 

SÉRVULO ESMERALDO (Crato/CE, 1929 – Fortaleza/CE, 2017) – Escultor, gravador, ilustrador, pintor, que começou sua trajetória pela xilogravura. Na década de 1950, trabalhou como gravador e ilustrador para o jornal Correio Paulistano. Em 1956, funda o Museu da Gravura, na cidade do Crato, Ceará. Em 1957, apresenta uma exposição individual no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Já na ocasião, suas obras revelavam, segundo o crítico de arte Frederico Morais, um interesse maior pela forma do que pelo tema. Sérvulo já iniciava seu caminho em direção à abstração. Progressivamente, irá se voltando para a produção construtiva e as formas irregulares. Ainda em 1957, vai para Paris estudar. Vive na França até o ano de 1978. Lá, começa a trabalhar com gravura em metal. Em meados da década de 1960, integra-se ao movimento da arte cinética, realizando a série Excitáveis, com quadros e objetos movidos pela eletricidade estática.

 

Ao retornar ao Brasil, fixa-se em Fortaleza e começa a trabalhar com chapas de aço laqueado, produzindo esculturas com planos dobrados e pintados. Em 1978, cria a Exposição Internacional de Esculturas Efêmeras, na capital cearense, da qual foi curador de 1986 a 1991. Em 1981, realiza uma série de peças brancas em que inscreve formas geométricas vazadas. Na década de 1990, entre outros trabalhos, faz relevos em que sulca linhas rigorosas em superfícies bidimensionais de aço. Em 2001, radicaliza esse princípio. Trabalha com linhas regulares de aço, com as quais desenha formas geométricas tridimensionais no espaço.

 

Em 2011, a Pinacoteca do Estado faz uma retrospectiva de seu trabalho. A obra de Sérvulo Esmeraldo integra o acervo dos principais museus do país, além de coleções públicas e privadas.

 

 

MOSTRA DO PRÊMIO CNI SESI SENAI MARCANTONIO VILAÇA PARA AS ARTES PLÁSTICAS

Local: Espaço Cultural Marcantonio Vilaça – TCU

Período: de 24 de outubro a 22 de dezembro

Visitação: de segunda a sexta-feira (9h às 19h)

Agendamentos: (61) 3316.5221

ENTRADA FRANCA

 

TCU – A Evolução do Controle

Local: Museu do TCU
Visitação: de segunda a sexta-feira (9h às 19h)
Agendamentos: (61) 3316.5221
ENTRADA FRANCA

*Com informações da Assessoria

 

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