Altas temperaturas em Brasília. Na política e no clima

Novidades na delação de Lúcio Funaro complica o lado do presidente Michel Temer e do Senador Aécio Neves

Por San Thor Oliveira Foto: Beto Barata/PR

 

O clima de descanso do feriadão começa a ir embora e os nervos vão aflorando para algumas figuras. O Senado começa os preparativos para a decisão sobre a situação do Senador afastado Aécio Neves, do PSDB-MG. Será votado o relatório da Comissão de Constituição Justiça e de Cidadania (CCJ) sobre a denúncia contra o atual presidente da república Michel Temer, por obstrução de justiça e formação de quadrilha. Houve muita euforia no fim de semana, após o “vazamento” de mais um trecho da delação do lobista Lúcio Funaro, apontando novas acusações contra o presidente. O delator afirma ter liberado a quantia de R$1 milhão para comprar votos de deputados, a pedido de Eduardo Cunha, a fim de conseguir resultados com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ainda ressalta que a relação de Temer com o ex-presidente da câmara dos deputados era muito próxima.

O clima ficou delicado assim que Eduardo Carnelós, advogado do presidente, afirmou que a divulgação do novo material da delação de Lúcio Funaro, teve “claro interesse de criar um fator negativo ao seu cliente – Michel Temer –” na semana em que a votação da CCJ está marcada. Entretanto, o material foi divulgado pela própria Câmara dos Deputados, fazendo com que Eduardo pedisse desculpas a casa (Câmara) por meio de uma nota oficial. Rodrigo Maia (DEM-RJ) por sua vez, atual presidente da Câmara dos Deputados, não aceitou o pedido de desculpas e ainda afirmou que a casa vai entrar com um processo contra a declaração do advogado, “foi irresponsável e incompetente” tendo em vista que a publicação foi feita de acordo com regimento, o material estava anexado aos autos da denúncia que envolve diretamente Eduardo Cunha. O ministro relator dos processos da Lava Jato, Edson Fachin, foi contra a fala de Maia, afirmando que o material estava sob sigilo de justiça. Em réplica, Rodrigo Maia afirma que em uma reunião no Supremo Tribunal Federal (STF), ficou subentendido que o material estaria liberado.

Nesse clima de “disse, me disse” além de Temer, mais dois de seus ministros; da Casa Civil (Eliseu Padilha) e da Secretaria-Geral da Presidência (Moreira Franco) também foram denunciados na mesma peça jurídica. Para os parlamentares que arriscam um palpite, a previsão que já era de pouca quantidade de votos favoráveis para o lado do presidente, agora é menor ainda. Mesmo assim, a base aliada conta com o número de votos necessários para derrubar a denúncia, enquanto a oposição prepara argumentos a fim de conseguir dar continuidade com o processo.

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