Brasília e Coisa & Tal

Por Romário Schettino | Fotos: Divulgação

1 – O sucesso de Lula na Paraíba

A transposição do Rio São Francisco, que irá beneficiar milhares de pessoas na região do semiárido nordestino, foi reinaugurada pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff na cidade de Monteiro, Paraíba. A festa popular reuniu mais de 30 mil pessoas e contou com a presença do animado governador paraibano Ricardo Coutinho (PSB). Um acontecimento que o presidente Michel Temer tentou desvirtuar. Semanas antes, Temer foi sozinho ao local para dizer que “não reivindicava a paternidade da obra”, como se isso fosse possível. Todo mundo sabe que foi Lula que enfrentou toda sorte de oposição e tirou do papel uma ideia, um projeto centenário, que ninguém ousou implementar. Ricardo Coutinho foi enfático ao defender a legitimidade de Lula e Dilma na consolidação de uma das mais importantes obras públicas dos últimos tempos.

2 – O papel podre da Polícia Federal

A espetacular e irresponsável divulgação da Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal, deixou o Brasil atônito, o governo de calça curta e a imprensa comendo mosca. É inacreditável que uma informação banal, como a que os policiais deram aos jornalistas despreparados, pôde virar manchete: ácido ascórbico “encontrado” em algumas carnes é altamente cancerígeno. Qualquer estudante do ensino médio, que tenha lido o mínimo sobre a história da descoberta do Brasil, já ouviu dizer que os marinheiros portugueses chegavam às costas brasileiras com uma doença chamada escorbuto, causada pela ausência de vitamina C, ou seja, falta do ácido ascórbico encontrado em várias frutas. Era só dar uma olhada no Google. Nossa grande imprensa dorme de touca e ajuda a causar o maior estrago nas exportações da carne brasileira. Europa, China, Chile e Coreia do Sul já suspenderam as importações e estão indo à Organização Mundial do Comércio (OMC) para reclamar.


Brasília – O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, fala no lançamento do Plano Agro Mais, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

3 – Burrice ou crime de lesa-pátria

A irresponsabilidade da PF não tem limites. Um caso como esse nunca poderia ter ido à imprensa sem o ministro da Saúde, o ministro da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A repercussão foi gigantesca e pode provocar desemprego em massa na área produtiva. Há quem diga que essa operação faz parte de um esquema de influência dos EUA na PT brasileira. É claro que há fiscais corruptos envolvidos, que há empresas porcas vendendo porcarias ao consumidor, mas nada justifica o pânico. Também parece que o fisiologismo político impera na fiscalização e a corrupção continua solta, mas isso não pode contaminar os interesses nacionais.

4 – O que vem depois?

O governo Michel Temer, depois de destruir a indústria do petróleo entregando o pré-sal, enterrar a indústria naval, agora desestabiliza a exportação de carne. Para fingir que está preocupado, Temer leva embaixadores de países importadores de carne para comer numa churrascaria que serve carne importada. Estupidez deveria ter limite. E agora, o que mais esse governo vai fazer? Atacar o agronegócio para derrubar os preços internacionais e abrir as portas para as multinacionais globalizadas? Não é só isso, tem a MP 759 em curso no Congresso, para permitir a venda de terras a estrangeiros, desregulamentando o Estatuto das Cidades e atacando a legislação que prevê a regularização fundiária. O atraso promovido pelo governo pós-impeachment faz o Brasil retornar a 1930. Isso é inacreditável.

5 – Reforma da Previdência

O que o governo Temer chama de reforma da Previdência não passa de uma destruição do pouco que se avançou em termos de proteção social aos cidadãos nas últimas décadas. A mentirosa afirmação de que há um déficit enorme da Previdência não se sustenta a um mero cálculo de matemática. A população está mobilizada para barrar essa reforma, milhares já foram às ruas e os parlamentares estão preocupados com os votos que terão de buscar em 2018. Muito provavelmente, a reforma não passará. Se passar, será desfigurada, para o desespero do ministro da Fazenda Henrique Meirelles.


Foto: Antonio Cruz/ (Arquivo) Agência Brasil
Segurados do INSS procuram postos de atendimento para fazer perícias médicas

6 – Mobilidade espera Joe Valle

A promessa do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, de instalar a Comissão Especial para a Mobilidade ainda não foi cumprida. A Associação Andar a Pé – O Movimento da Gente espera que os deputados se debrucem sobre o tema mais rápido possível, pois a imobilidade urbana do pedestre só está piorando. Tarifas do transporte público coletivo de qualidade, preços compatíveis com a realidade, obras adequadas para os ciclistas e caminhantes, tudo isso fará parte da pauta dessa Comissão.

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