Cirurgia Bariátrica: Mitos e verdades

Quais pessoas podem fazer a cirurgia bariátrica. Conheça os principais  os procedimentos e seus prós e contras.

 

Por: Diego Tolentino

Para algumas pessoas, os quilos a mais se resumem a uma gordurinha aqui ou ali que apenas incomoda na hora de vestir uma roupa mais justa. Já para outras, os quilos a mais envolve problemas de saúde, baixa autoestima e o consumo excessivo de remédios. Nesses casos, a solução muitas vezes é a cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago.

De acordo com Rafael Leonardo, médico cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Daher do Lago Sul, há várias técnicas que diminuem a capacidade do estômago, mas é errado pensar que basta ser gordinho para realizá-las. “Elas são indicadas apenas para obesos mórbidos, com IMC (índice de massa corpórea) acima de 40 ou acima de 35 para pessoas que têm diabetes e pressão alta. Operar é o último recurso e por isso a gente pressiona o paciente a andar na linha quando decidimos realizar a cirurgia”, alertou o médico.

Foi assim que aconteceu com a funcionária pública Carolina Dantas, de 37 anos. Depois de tentar todo tipo de dieta e lutar contra o efeito sanfona, seus 117 kg distribuídos em 1,78 m começaram a prejudicar as articulações, aumentar o colesterol e a pressão arterial. Preocupada com seu  excesso de peso, ela decidiu operar em 2008. “Teve uma época em que eu tentei fazer regime para engordar porque os médicos diziam que eu precisava ter 20 kg a mais para fazer a cirurgia, mas como eu tinha problemas no tornozelo e um histórico de família obesa, meu médico resolveu me operar”, conta.

Tomar a decisão nem sempre é fácil. Isso porque o processo começa bem antes da sala de cirurgia e exige acompanhamento. O lado bom, são os quilos a menos. Mas a operação pode causar problemas como refluxo, anemia e grandes chances de transferir a compulsão por comida para outro vício, como o álcool.

“O defeito dessas operações não é só vomitar ou passar mal. É esperado que o paciente abuse. O defeito é que você pode ter deficiência de vitamina e isso acontece ainda mais nas mulheres. Outra preocupação é que, como a cirurgia acaba com a fome, mas não com a vontade de comer, o operado precisa de acompanhamento psicológico para não transferir a compulsão”, explica Rafael.

 

Dieta e pós-operatório 
A primeira etapa após a cirurgia dura 15 dias e é marcada por uma dieta líquida, em que é liberado água de coco, isotônicos, suco e chá com adoçante. Depois disso, já é possível ingerir alimentos pastosos, como sopa. Os alimentos sólidos só entram no cardápio após o primeiro mês.

“O que pega mais é a vontade de mastigar. Eu não tinha fome, mas tinha necessidade de mastigar e por isso os primeiros dias foram bem complicados”, relembra Carolina. Para ela a compulsão também foi o maior obstáculo. “Um dia tive muita vontade provar melancia, dei duas mordidas e sentia que tinha comido uma feijoada inteira. A necessidade física já estava esgotada, mas o pensamento de gordinha ainda era o mesmo”, conta.

Uma vez operado, é preciso colocar o pé no freio e diminuir as porções. “A comida do paciente tem que caber na palma da mão e não pode passar de 200 g para o resto da vida. Se achar que vai operar para tomar refrigerante e comer à vontade, não opera”, alerta o cirurgião.

 

Conheça algumas técnicas 

Banda gástrica ajustável: Um dispositivo de silicone é colocado na parte superior do estômago e divide o órgão em dois, o que desacelera a digestão e aumenta a saciedade. “O estômago vai funcionar como uma ampulheta, mas o problema é que você pode ingerir sorvete, chocolate líquido ou qualquer porção calórica que prejudica a perda de peso”, explica Rafael.

Balão gástrico: Não necessita de cirurgia. Por meio de uma endoscopia, um balão é colocado dentro do estômago e diminui o espaço para a comida, o que aumenta a saciedade. A técnica dura seis meses.

Capella: Cirurgia que liga o estômago ao fim do intestino. Sendo assim, o alimento faz um caminho bem curto dentro do organismo. “Essa técnica é a mais utilizada no Brasil e funciona como um grampeador. Se abusar de doce e gordura, o operado pode passar mal”, afirma o médico cirurgião do aparelho digestivo.

 

Scopinaro : O estômago é reduzido cirurgicamente e ligado diretamente ao intestino delgado. Assim, apenas 3 m de íleo (parte do intestino) recebe o suco bileopancreático. Com isso, ocorre a má absorção de gorduras e pode haver diarreias frequentes caso o paciente se alimente de forma incorreta.

Interposição do íleo: Cirurgia que retira uma parte do estômago e do íleo (parte do intestino delgado). Essa parte é colocada entre o jejuno e o duodeno (parte superior do intestino). Assim, o alimento chega menos digerido ao íleo e o organismo passa a produzir mais hormônios que curam a diabetes tipo 2. A técnica ainda é proibida no Brasil
Duodenal Switch Modificado: Processo que reduz o estômago e faz um desvio para o intestino delgado. Dessa forma, a ingestão e absorção de alimentos é menor.

Gastroplastia vertical: O estômago é reduzido para 1/3 de sua capacidade, o que obriga o paciente a ingerir pequenas porções de alimentos.

 

 

 

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