Cláudio Abrantes confessa tudo e diz por que saiu do Governo

O deputado distrital Cláudio Abrantes, nascido em Catolé da Rocha (PB), está em seu terceiro mandato como parlamentar. Já morou em Planaltina, onde atuou no papel de Jesus na famosa encenação Paixão de Cristo por mais de 10 anos e é conhecido pelo povo por sua transparência e luta junto à população.

Abrantes defende em seu mandato a luta por educação, cultura e segurança, já que era agente da Polícia Civil do Distrito Federal, antes de entrar na política.

É considerado o parlamentar líder em transparência de acordo com pesquisas da ONG Adote um Distrital e já relatou projetos de lei, como o Passe Livre Estudantil e o Jovem Candango, que já empregou mais de dois mil jovens de 14 a 18 anos.

O deputado conta à Plano Brasília o motivo que o levou a sair da base aliada do governo Rollemberg e faz um alerta sobre os erros cometido pela atual gestão. Cláudio Abrantes promete, ainda, manter transparência sobre suas ações, trazendo um contato mais direto com a população do DF.

Durante a entrevista, o deputado defende a importância de votar conscientemente e diz que está planejando se candidatar às próximas eleições, novamente como deputado distrital. Para isso, está avaliando em qual partido se filiar.

 

Nesse ano o senhor saiu da base aliada do governo Rollemberg. Qual foi o motivo?

CA > Eu saí por uma série de motivos e descumprimentos de promessas e acordos do governo Rollemberg. Não foram promessas individuais, mas promessas coletivas desde a campanha do governo até o momento. O governo deixou de realizar diversas ações. Por exemplo, o governo tinha um compromisso público na campanha de realizar as eleições para administradores, uma promessa do governador. Não fez e não realizou nenhum indicativo que fizesse. Ele põe isso embaixo do pano e joga um projeto, que é horrível, para a Câmara. Tinha compromisso com bandeiras que, para mim, são importantes, como uma universidade pública para o Distrito Federal. O governador simplesmente abandonou esse projeto. Rollemberg tinha compromissos de respeitar os servidores públicos e o que faz é criminalizá-los. Ele põe toda a culpa da crise em cima do gasto de pessoal, com os servidores públicos, e isso daí com todas as categorias, como professores e médicos, não cumprindo leis. Desde o início do mandato, o governador vinha dizendo que a paridade da Polícia Civil com a Polícia Federal era algo histórico e que ele respeitaria. Ele ficou três anos praticamente enrolando, dizendo isso. No final das contas, disse que não faria. Foi a gota d’água. Então, falta para o Rollemmberg cumprir o que ele prometeu para a sociedade. Ficar na base aliada me traria muitos problemas, porque é um governo que não respeita a população, os servidores públicos e a Câmara Legislativa.  Para eu não aparecer como oportunista, nós saímos faltando quase dois anos de governo e depois que exaurimos todas as tentativas de acordo dele com os servidores públicos. Eu preferi ter a postura de sair do governo e do meu partido, que era um partido que eu gostava e gosto ainda, a Rede (Partido Rede Sustentabilidade), mas cuja postura é ser da base governista. Então seria uma incoerência muito grande sair da base do governo e permanecer no partido, que é da base governista.

 

O senhor continua sem partido?

CA > Continuo sem partido. Estou avaliando as propostas. Creio que tenho tempo. É difícil achar um partido que a gente consiga ter uma afinidade ideológica, programática e, ao mesmo tempo, ter competitividade eleitoral, porque é inegável que isso precisa haver também. Estou avaliando com calma e com cuidado, para poder definir bem para qual caminho eu sigo. Um dos critérios, obviamente, é que não seja base do governo Rollemberg. Não tem sentido eu ir para um partido que é base do governo.

 

Com a próximas eleições se aproximando, o senhor pretende continuar na política?

CA > É uma avaliação que a gente sempre faz em conjunto com a família, com os amigos e com o grupo político. Neste momento eu penso, sim, em ser candidato a deputado distrital nas próximas eleições. É um pensamento que a gente vai avaliar constantemente. Quero ver se eu posso contribuir para política e se isso vale a pena ainda. A princípio, vou tentar a candidatura para distrital, mas nada definitivo. Ainda tenho uma questão importantíssima para resolver, que é a questão partidária. Eu tenho que achar um partido. Se eu não encontrar, não posso ser candidato.

 

Quais são as questões que seriam trabalhadas para um próximo mandato?

CA > A questão da transparência é uma bandeira que a gente vai manter. A questão da valorização do serviço público e da universidade para o Distrito Federal é uma bandeira que a gente também quer continuar, assim como a questão da  cultura, que é importantíssima para o DF, para o Brasil e para o mundo. Além de ser um elemento de identidade da população, também pode ser um importante vetor de geração de emprego e renda. O tema fundiário, por exemplo, é um trabalho que iniciamos. Mais da metade do Distrito Federal está em situação irregular e precisamos resolver isso, porque é importante para dar tranquilidade e também para organizar a cidade. E, por fim, o direito à mobilidade. Brasília está caminhando para ficar inviável na questão de mobilidade; não vemos o governo fazendo nada. Muito pelo contrário: nós ficamos dez anos sem reajuste de passagem no transporte público, mas o governo atual já reajustou duas vezes as passagens de ônibus. Então é mais ou menos essa linha que quero seguir, aliada às nossas pautas habituais de educação, saúde e segurança, que são os pilares do exercício da prestação de serviço do Estado. E vamos trabalhar para melhorar muito, isso.

 

É possível ver em suas redes sociais seu empenho como parlamentar para cobrar do governo o atendimento às demandas da população. Qual a importância desse engajamento ?

CA > Hoje as redes sociais são um benefício muito grande, porque, devido aos maus exemplos da política, não temos muito espaço na imprensa e com motivos, vamos ser francos. Mas as redes sociais nos permitem o diálogo direto com o eleitor. Muitos dos trabalhos que existem na nossa rede social são oriundos de sugestões de eleitores e  leitores, que têm uma ideia e vão atrás. Nós propomos que a nossa página seja um portal de reivindicação mesmo, para que as pessoas possam cobrar. Eu acho isso positivo. Não é um modismo, somente. Já é uma realidade. É um modo de vida do cidadão. Hoje em dia, a participação do cidadão é essencial. Não se faz um mandato sem participação popular. Sempre incentivamos os eleitores, mesmo os que não são nossos, a visitarem as páginas dos deputados.

 

O senhor luta pela sobrevivência da ala pediátrica do Hospital Regional de Planaltina. Por que há tanto descaso, principalmente nos setores que o senhor defende melhorias?

CA > Olha, eu não quero imaginar que seja uma questão política. Eu penso que é falta mesmo de competência do governo. É muito desorganizado, porque a gestão é horrível. O que eu vejo é que há uma incompetência imensa deste governo, que não é capaz de gerir um orçamento tão grande (R$ 27 bilhões) e fazer com que as políticas públicas cheguem à população. A política pública de saúde é uma dessas. Eu vejo que o governo age mal. Ele fez regionalizações que não surtiram efeito e ele não tem a capacidade de voltar atrás e dizer que errou. Ele pega o principal hospital da rede pública, que é o Hospital de Base, e quer transformá-lo em um hospital privado. A verdade é essa, porque a relação com os profissionais vai ser de forma privada, por meio de CLT. Então, isso acaba repercutindo na ponta. E onde é a ponta? Nas cidades mais periféricas, como Planaltina, Brazlândia, Gama e Santa Maria. As pediatrias desses locais estão acabando e o governo prefere olhar para o Hospital de Base. Para mim, isso é uma opção de gestão política extremamente equivocada e errada. Por isso que as pessoas sofrem tanto.

 

No governo Rollemberg, se o senhor pudesse apontar o principal erro cometido, qual seria?

CA > Nossa, você quer só um? São inúmeros erros. O governador achava que, com cargos, poderia me comprar e eu disse que não. Entreguei todos os meus cargos por conta daquilo que eu acreditava. Então, isso é a velha política, que foi um grande erro dele, erros de gestão. O governo faz opções erradas de gestão, de crescimento. Vou dar um exemplo simples. O governo avisa que vai parcelar salários. Quando ele faz isso, o que acontece? O cidadão, que acha que seu salário será parcelado, acaba por gastar menos. Se gastar menos, deve consumir menos. Se há menos consumo, há menos impostos e arrecadação, logo, menos dinheiro no caixa do governo. O próprio governo provoca uma diminuição no caixa dele. Foi isso que aconteceu, quando ele anunciou o parcelamento de salários e isso sabendo que iria entrar recursos no dia. São erros gravíssimos. São erros da política. E o principal e mais grave erro que o governo cometeu foi o de não ser sincero. O governo não é franco. Ele não é verdadeiro. Ele é sempre um governo de desculpas e foi assim desde o começo. Quando ele falou que havia herdado um prejuízo gigantesco do Agnelo (Queiroz), eu até acredito que realmente havia herdado um prejuízo, mas ele não era franco em relação aos valores. E o governo também não mostra ou não entrega nada para a população. Se mostrou, foi muito pouco para um governo que está há quase três anos no poder.

 

O senhor é o parlamentar líder em transparência, de acordo com pesquisas feitas pela ONG Adote um Distrital. Ao que o senhor atribui esse título?

CA >  Olha, eu sempre me preocupei com um mandato inclusivo. Eu acredito que, quando se entra na política, você tem de estar disposto a ser transparente.

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