Conhecido como adversário político duro

Conhecido como adversário político duro, o ex-secretário de Transporte do governo Arruda e deputado federal pelo Democratas do DF, Alberto Fraga fala com a revista Plano Brasília sobre o cenário político nacional, nega as acusações ter recebido dinheiro de cooperativas, anuncia pré-candidatura como governador do DF em 2018 e aponta erros do governador Rodrigo Rollemberg. “O que ele está fazendo com essas pessoas que investiram, que pegaram empréstimo para construir uma casa para chamar de sua, ele passou o trator em cima dessas casas. Eu não concordo com grilagem de terra nem invasão. Agora, se eu quero ter uma postura desse tipo, eu não posso deixar construir. Ele deixou construir, foi lá e derrubou. Mal intencionado. Mal caráter. Isso é mal caratismo”, dispara.

O que o senhor achou do relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ)? Os argumentos da acusação e defesa foram convincentes?

Não. Ele manteve a mesma linha de acusação sem provas concretas. Ele fez uma peça acusatória…Eu entendo que, para você ter uma denúncia, você tem que ter provas consistentes e isso vai ser provado… É bem verdade que eu não acredito que essa denúncia será aceita aqui, pelo Plenário ou autorizada porque se fosse autorizada, eu tenho certeza absoluta que o Supremo Tribunal Federal (STF) não aceitaria essa denúncia.

O que o senhor acha sobre o cenário político nacional para 2018?

Muito indefinido. As lideranças políticas do país estão desaparecendo. A prova disso é que surge hoje, como segundo colocado, e primeiro em vários estados brasileiros, o deputado (Jair) Bolsonaro (PSC-RJ). Nós sabemos que existe uma rejeição muito grande, mas hoje o Bolsonaro cresceu em virtude da falta de opção no cenário nacional.

É porque o candidato começa a ser excluído do páreo eleitoral quando o índice de rejeição chega ao patamar de 40%…

O Bolsonaro, desde que iniciou a sua caminhada, ele sempre disse que tinha como meta, no máximo, 10% e muita gente não acreditava e hoje está tendo que admitir que ele se tornou uma realidade. Até onde ele vai chegar, eu não sei, mas que hoje ele é uma realidade dentro do cenário político, ele é. Não tenho dúvida disso.

Na semana passada, o senhor foi lembrado em uma pesquisa espontânea sobre possíveis candidatos a governador para 2018? Isso foi uma surpresa para o senhor?

Não. Primeiro porque eu sou pré-candidato ao governo e meus adversários fazem questão de dizer que eu sou candidato ao Senado Federal. Não sou candidato ao Senado. Já fui. O que eu tenho dito, mantenho sempre minha palavra, e os meus acordos é que, dentro do grupo político da Direita, aquele que estiver em melhores condições tem que ser o candidato. Assim como teve pesquisa que me colocou em terceiro, tem outras cinco que colocam em primeiro.

O jogo ainda está indefinido, acho que essas questões de pesquisas são sempre muito manipuladas. A prova disso é que essa última, publicada pelo Correio Braziliense, coloca todos os políticos com 60% de rejeição… Agora, se você fizer uma análise mais madura, mais isenta de qualquer tipo de ideologia, você vai perceber que isso pode ser uma jogada do governador (Rollemberg) porque esse sim amarga mais de 70% de rejeição. Então eu não posso acreditar e, a prova disso é que está furada, uma pessoa como Reguffe, que tem o seu nome consolidado, de grande densidade política no nosso Distrito Federal, ele tem 62% de rejeição. Eu tenho 65%. Não pode ser verdadeira essa pesquisa, não faz sentido.

Conhecido como adversário político duro

 

Pretende concorrer como governador?

Sim. Vou.

E o cenário distrital? O senhor acredita que exista lastro político para que Rollemberg seja reeleito, mesmo com 67% de rejeição?

Não. Eu acho que ele se elegeu por acaso. Foi assim na eleição para Senador, que ele foi puxado, conduzido, levado pelo (senador) Cristovam Buarque (PPS-DF). Se ele não tivesse mais quatro anos de Senado, certamente não teria concorrido ao governo porque ele tinha 7% nas pesquisas e, por uma queda do (José Roberto) Arruda, o governo caiu, literalmente, no colo dele. Ele nunca teve essa densidade política. Nunca teve.

Todas as vezes que ele foi concorrer… Por exemplo, eu fiz 95 mil votos, ele fez 40. Ele nunca teve essas coisa, esse lastro, essa densidade política que o conduziu a essas duas cadeiras majoritárias. Ele não tem grupo político, de difícil diálogo, não respeita os parlamentares. Até parece que ele não ouve ninguém, ele ignora todos os deputados. Essa é a grande verdade.

O senhor foi secretário de Transporte e sempre bradou em favor da população por um transporte de melhor qualidade. Porque ainda temos um sistema tão falho e ineficiente? É falta de vontade política?

Primeiro porque não deram continuidade ao que fiz. Quem primeiro peitou e congelou o aumento de tarifa foi eu, quem implantou os primeiros carros com acessibilidade foi eu, quem colocou as televisões (monitores) dentro dos carros foi eu, quem implantou o passe livre foi eu. Todas as barreiras que antes existiam, quem quebrou essas barreiras foi eu, quem enfrentou os empresários quem fez uma licitação depois de muitos anos, quando eu licitei 160 ônibus da Viplan. Depois eu tirei as vans piratas e botei os micro-ônibus na rua.

Demos continuidade ao (programa) Brasília Integrada, que era um transporte de qualidade, íamos implantar o VLT na W3… Eles cancelaram o projeto… O BRT está incompleto, não é o projeto que deixamos pronto. Quer dizer… Brasília é uma cidade típica das demais porque nós temos que ter uma fórmula de fazer com que a população deixe o carro em casa e ande de ônibus, mas para que isso aconteça, você precisa ter um transporte de qualidade.

Brasília por ter um movimento pendular, com 90% dos empregos estão no Plano Piloto. Então, a população sai das cidades-satélites, cidades-dormitórios e se deslocam para o Plano, mas de 5h30 às 9h da manhã. De 9h até às 17h, praticamente você não tem passageiro. Como se dá o nome disso: Índice Passageiro por Quilômetro (IPK), que o de Brasília é um dos menores do Brasil. O que você aumenta o IPK? Renovação da catraca. Se você vai ao Rio de Janeiro, já notou quantas vezes é um sobe e desce danado? Aqui, em Brasília, no trecho Gama-Plano Piloto, veja quanto tempo a catraca vai rodar. Não há renovação. Em virtude disso, a passagem sempre foi um pouco mais cara que os outros estados porque nós não temos um IPK alto.

Eu fiz tudo o que era possível fazer e lamento que, recentemente, fui atacado, agredido, acusado de uma coisa que eu combati, que foi a corrupção. Eu gravei as pessoas que se diziam que estavam sendo extorquidas e eu pergunto: -eu iria produzir provas contra mim? E, exatamente, a comprovação que eu estou bem nas pesquisas do governo é que fizeram aquela armação, colocando seis dias a Rede Globo me batendo…

Depois que a população entendeu que fui que gravei os caras é que eles tentaram mudar o foco. Aí botaram um flat que eu comprei, como se fosse crime eu comprar um flat e deixar no seu nome. Desde que você pague no Imposto de Renda, qual é o problema? O problema é meu. E é um problema que não tem nada a ver com o objeto da investigação. O objeto da investigação era a corrupção. O que a venda de um flat tem a ver com a coisa? Isso só comprova que tem alguma coisa sendo manipulada para poder, vamos dizer assim, manchar a minha vida pública.

O vídeo do ex-senador e empresário do Valmir Amaral, em cima do túmulo do pai, acusando o ex-governador Agnelo e o ex-vice Filippelli. Alguma coisa procede?

Eu não conheço a história. Eu só sei que, assim como foi retirada a Viplan, eu digo a você que o processo de licitação que foi feito para Brasília foi fraudado, é viciado. A Justiça já se manifestou.

A coisa mais absurda que eu vi é que todo mundo na vida gostaria de ter uma empresa de ônibus lucrativa, não é verdade? Para isso existe uma coisa chamada outorga. Fizeram uma licitação e não cobraram outorga. Eu, quando fiz a licitação de 450 micro-ônibus  e 160 ônibus da Viplan, sabe quanto eu arrecadei para colocar nos cofres do fundo de transporte da Secretaria? R$ 76 milhões. Essas empresas que estão aí rodando, sabe quanto eles pagaram para o governo para entrar aqui, no DF, e tirar a empresa do Valmir Amaral, a Viplan etc.? Não pagaram um centavo. Só isso já era motivo para o Ministério Público fazer uma investigação muito aprofundada e detalhada.

Em muitas chamadas de televisão, o senhor pede que o governador respeite o povo. Quais seriam as ações que o governo Rollemberg desrespeita a população?

Primeiro, deixa a saúde na UTI. Você veja que a média de mortes nos leitos dos hospitais é de 5 mil por ano. Em 2016, a média passou para 6 mil, com mil a mais. Nós não tivemos epidemia aqui. Nós não tivemos nenhum desastre natural que possa contribuir por esse aumento de mil pessoas que morreram. Isso é falta de cuidado. Isso é incompetência. É o estado de penúria que ele está deixando a saúde.

Outra coisa. As pessoas trabalham na vida e uma das primeiras coisas que ela quer é a sua moradia. O que ele está fazendo com essas pessoas que investiram, que pegaram empréstimo para construir uma casa para chamar de sua, ele passou o trator em cima dessas casas. Eu não concordo com grilagem de terra nem invasão. Agora, se eu quero ter uma postura desse tipo, eu não posso deixar construir. Ele deixou construir, foi lá e derrubou. Mal intencionado. Mal caráter. Isso é mal caratismo.

A segurança pública tem os piores índices de insegurança do Distrito Federal. A insatisfação dos servidores públicos para com ele nunca foi alcançada. Ele não deu aumento salarial, aliás, ele chegou a reduzir salários de uma turma do (Serviço de Limpeza e Urbanismo) SLU. Esse governador… Eu não sei quem são seus assessores, mas o fato é que ele não tinha e não obteve, até hoje, maturidade administrativa para ser o governador do Distrito Federal.

De quem é a responsabilidade da crise hídrica que vivemos no DF? Dos governos anteriores ou do planejamento da Caesb?

Veja bem. Eu me recordo, há muito tempo atrás, quando o ex-governador Roriz teve essa ideia de trazer água de Corumbá IV para o Distrito Federal, o próprio Rodrigo Rollemberg, em discurso aqui nessa casa (Câmara dos Deputados), disse que o ex-governador estava arrumando uma fórmula para roubar, que era um absurdo aquilo. Passaram-se 20 anos, se não me engano, agora ele está tendo que concluir a obra que foi iniciada por aquele que ele acusou, mostrando que a crise hídrica deveria ter sido identificada no início do governo dele e não deixar o povo de torneira fechada como ele está fazendo. Então, a solução para a crise hídrica de Brasília é sim Corumbá IV.

Não sei se essa retirada de captação de água do Lago Paranoá vai dar certo, é um lago artificial. Nós não sabemos aonde isso vai parar, portanto a melhor solução seria investir e concluir as obra de Corumbá IV.

O senhor acha que a regularização dos lotes de condomínios está sendo correta? Porque outros governos nunca fizeram esse movimento para regularizar?

Não fizeram porque você tem que ter na mesma toada, em consonância governo do Distrito Federal e governo federal. Eu me recordo quando Arruda era governador, nós iríamos legalizar Vicente Pires. Por um ato político, o presidente da República era o Lula, já estava tudo pronto para legalizar. Aí veio Geraldo Magela, do PT, entrou com atividades políticas e impediu a conclusão da regularização.

Eu acredito que não é indispensável, não dá mais para viver com esses condomínios sem escritura. Tem que haver a regularização. Tá aí uma das coisas que eu faço, todo mundo sabe que eu tenho coragem para isso. É uma das primeiras coisas que eu quero fazer (como governador) é regularizar os condomínios e terras do Distrito Federal.

O governo federal não precisa de terras. Quem precisa é aquele povo que está ali, construiu uma casa. Eu não vou defender construir em cima de uma nascente, mas aqueles condomínios que foram construídos com sacrifício, nós temos que chegar em uma conclusão.

O tempo médio de aprovação de um projeto na CLDF é de 451,5 dias. Em 83%, chega a 2 anos.* O senhor considera a morosidade da casa em aprovar os Projetos de Lei danosas para o andamento da cidade? Por quê?

Essa estatística é da Câmara Legislativa? Eu brinco sempre que o cara entra com o projeto e à tarde vira lei. A casa aprova grande quantidade de projetos inconstitucionais, o que eu acho que é uma irresponsabilidade. Aonde se demora é esta casa (Câmara dos Deputados). Aqui sim dura anos para você aprovar uma lei por isso eu me orgulho muito porque eu tenho 16 leis aprovadas aqui. Procure dentre todos os deputados de Brasília quem é que tem lei aprovada.

A Câmara Legislativa, para mim, é uma surpresa porque lá é muito fácil de aprovar projetos.

*Segundo estudo do Observatório Social de Brasília (OSBrasília), há uma baixa produtividade e a falta de qualidade de boa parte das proposições aprovadas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Durante o ano de 2016, a Casa votou favoravelmente a 208 propostas, mas poucas tiveram efetividade no dia a dia dos brasilienses.

Recentemente, os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, além do ex-vice-governador Tadeu Filippelli foram presos, pela Polícia Federal, por suspeita de desvios de recursos do estádio Mané Garrincha. Foi uma surpresa para o senhor?

Eu não gosto de criticar, mas surpresa não era não. Nós sabíamos que depois da delação, que foi dito que houve superfaturamentos, eu acho que vai ter outros desdobramentos. Prefiro não comentar porque eu não quero atirar pedra no telhado de ninguém. O desdobramento disso ainda vai dar muito pano pra manga.

Na sua opinião, porque existe tanta corrupção na política? É falta de fiscalização e leis mais duras contra o gestor público ou é uma questão de falta de valores dos políticos?

Primeiro porque eu acho que é falta de valores. Isso tá na cultura do povo brasileiro, o jeitinho brasileiro. Eu sempre digo que como há o corrupto, há sempre o corruptor. Porque que as vezes funciona comigo diferente? As pessoas tem medo de propor alguma coisa para mim, dizem que eu sou muito bruto, pela minha formação. Eu não estou na (operação) Lava Jato, não estou em Odebrecht, não estou em Friboi, não estou em nenhuma relação que você possa imaginar. Não estou na (operação) Caixa de Pandora… Aí, alguns covardes, cretinos, tentam manchar o meu nome inventando coisas, como por exemplo, receber propina de transporte de cooperativa. Se eu fosse me sujar, eu ia procurar uma fonte com muito mais recursos, que no caso seriam os empresários de ônibus e não as cooperativas que eu tirei das ruas.

1 comment

Leave a reply