Constelação familiar: trazendo ordem ao amor

Texto: Juliana Reis | Fotos: Danilo Mota

 

Conheça a abordagem terapêutica que trabalha com a quebra de padrões familiares que se repetem, auxiliando profundamente no desenvolvimento pessoal e profissional

 

Aos 32 anos, advogada em ascendência profissional, ninguém diria que Ana (nome fictício) pudesse ter problemas, não fosse sua saúde debilitada. Há três anos, ela lutava contra o que os médicos não diagnosticavam e, simplesmente classificavam como intolerância alimentar. A cada dia, um novo alimento era riscado de sua rotina, com o intuito de investigar os sintomas que acompanhavam sua péssima digestão: dores abdominais e inchaço eram os que mais lhe irritavam. A situação, que deveria estar melhorando, pois Ana tinha começado a namorar, só piorava: “Eu tinha, enfim, encontrado a pessoa com quem eu queria me casar. Eu deveria estar ótima, já que os médicos me diziam que aquilo era emocional”.

Ela, então, resolveu participar de um workshop em constelação familiar realizado por Cássia Machado e percebeu que estar doente sempre foi uma forma de se manter ligada à sua mãe, no aspecto do sofrimento. Inconscientemente, Ana não se permitia estar tão bem profissional e amorosamente, já que sua mãe se divorciara muito cedo assumindo a responsabilidade pelo sustento da casa e não se casando novamente. Interrompia-se um ciclo negativo, que já vinha se repetindo, na verdade, desde a avó de Ana, que não teve um casamento tranquilo e também foi a condutora das finanças da família. “Eu nunca havia parado para pensar na hipótese. Sempre considerei que meu relacionamento com minha mãe seria aquele item da minha vida sem qualquer tipo de entrave. Sempre fomos cúmplices. Quando constelei com a Cássia, percebi, simplesmente percebi como eu estava sendo reverente a ela: permanecendo doente”, afirma Ana.

 

Quebrando padrões familiares

A constelação familiar é uma abordagem terapêutica que trabalha a quebra de padrões familiares que se repetem, auxiliando o desenvolvimento pessoal. O método foi criado pelo alemão Bert Hellinger, durante a década de 1970. Nascido em 1925, Hellinger diplomou-se em Filosofia, Teologia e Pedagogia. Em contato com a terapia familiar, como psicanalista desenvolveu seu modelo original de constelações familiares, que passou a ser conhecido mundialmente e utilizado em diversas áreas para além da psicoterapia, como a educação, a consultoria empresarial e a medicina, sendo que, hoje, inclusive, vem sendo aplicada na mediação de conflitos levados ao Poder Judiciário.

Hellinger enxerga o ser humano como parte de um sistema, levando em consideração seu histórico familiar. Ele compara o sistema familiar a um bando de pássaros. Individualmente, todos os pássaros voam em determinado sentido, como se fossem movidos pela decisão do bando. No sistema familiar, essa decisão agiria como uma consciência de família compartilhada, que, embora seja primariamente inconsciente, produz efeitos em todos os seus membros. A dinâmica normalmente oculta dos sistemas de relacionamento pode se tornar visível por meio da constelação familiar.

 

O que acontece na constelação?

Em qualquer deliberação prévia, são escolhidos, entre os integrantes de um grupo, representantes para os membros da família do participante central, os quais são posicionados no recinto, de acordo com as relações mantidas entre si. O que mais chama atenção no processo é que estes representantes passam a sentir e a se comportar realmente como os membros da família que representam, sem, entretanto, dispor antecipadamente de qualquer informação a respeito deles.

Esse é o ponto do processo que geralmente causa descrédito. Parece difícil acreditar que uma pessoa investida do papel de alguém que desconhece completamente possa agir e sentir assim como ele. Para que alguém se convença da autenticidade dos fatos que se mostram na ocasião, geralmente é preciso ter a oportunidade de experimentar uma constelação. “Estive um pouco confusa, até ser escolhida como representante. Senti e realizei involuntariamente movimentos que apontavam minha falta de ar. Com o desenrolar da constelação, fui identificada como um membro do grupo da família que havia sido assassinado por estrangulamento. Foi incrível”, afirma Ana, referindo-se à oportunidade em que participou de um workshop de constelação familiar promovido por Cássia Machado.

Não se sabe como é possível que os participantes da constelação sejam capazes de adotar sentimentos, sintomas e até mesmo a postura física de pessoas reais, mesmo não as conhecendo. O próprio Hellinger, quando questionado, diz que não sabe explicar, mas admite a existência do que ele chama de um campo de força a que os representantes se conectam e do qual passam a participar de forma súbita. Esse campo de força é dotado de um saber que é transmitido pela simples participação. Na verdade, o que se observa em uma constelação familiar é uma dinâmica sistêmica oculta. “Não estou capacitado a explicar esse fenômeno, mas ele existe e eu o utilizo”, enfatiza Hellinger.

 

Soluções para os conflitos

 Pode-se dizer, assim, que as constelações familiares são conduzidas sob um enfoque fenomenológico. Na constelação, ocorre uma forma especial de percepção, algo que não se alcança por meio do pensamento. Ana descreve bem isso: “Quando constelei, percebi como eu estava sendo reverente a ela: permanecendo doente”. Hellinger denomina essa percepção de fenomenológica. É um estar presente sem um propósito determinado, sem temor, sendo que uma atitude de despojamento deve preceder essa percepção. Isso também pode ser denominado como uma intuição libertadora e curativa. Portanto, constelação familiar não é algo que se entenda, que se apreenda cientificamente.

Hellinger, observando o mundo filosoficamente, entende que tudo está em movimento, nada está parado. Ainda, atrás de todos os movimentos, existe o que ele chama de um movimento original que determina e mantém os movimentos em andamento. É uma força original criativa, uma força que determina as ordens. As constelações familiares evidenciam que os relacionamentos seguem determinadas ordens, pois é justamente algo que não está na ordem o que se mostra. No processo, vêm à tona os então chamados envolvimentos sistêmicos e são mostradas, para o participante, soluções para os conflitos.

Alguns enredos familiares demonstram que apenas o amor recíproco não é suficiente. É que, para se desenvolver, o amor precisa de ordem. A superação dos obstáculos com os quais os indivíduos se deparam (conflitos, timidez, depressão, ansiedade, pânico, doenças recorrentes, vícios, problemas financeiros e muitos outros) pode ocorrer a partir do respeito às ordens preestabelecidas para o amor nas relações humanas.

A partir da representação, o participante de uma constelação consegue perceber (e esse é o termo: trata-se de percepção!) qual das ordens está/estão sendo violada/violadas e qual o próximo passo ele deve tomar para que o amor volte a fluir em sua vida, trazendo, assim, a solução para o que lhe incomoda.

Nesse sentido, ao longo de anos de trabalho, Hellinger observou, e esse é seu grande diferencial em relação a outros terapeutas de diferentes escolas que também se utilizam do método das constelações familiares, três ordens ocultas do amor. Às vezes chamadas de leis, elas atuam independentemente da concordância, da opinião ou mesmo do conhecimento das pessoas, pois são leis já preestabelecidas, tidas como leis naturais, assim como a lei da gravidade, por exemplo.

A primeira delas se refere à pertinência, à vinculação: todos têm o igual direito de pertencer a um sistema familiar. Isso independe de qualquer condição: religião, profissão, cor de pele, escolha sexual. É comum a exclusão de assassinos, infratores da lei, podendo ocorrer também o mesmo processo em relação a um natimorto, por exemplo. A criança nunca é mencionada, sequer é-lhe atribuído um nome. Sempre que alguém num sistema familiar é excluído, surge uma necessidade de compensação, uma força invisível que faz com que o membro excluído seja representado por um membro mais novo da família. Nesse caso, muitos distúrbios de comportamento nas crianças, tendência a acidentes e até mesmo comportamentos suicidas representam inconscientemente uma pessoa excluída, como forma de satisfazer a necessidade de reintegração desse membro ao grupo.

 

O que é equilíbrio de troca?

A segunda ordem diz respeito ao equilíbrio de troca, o equilíbrio entre dar e receber. No caso de Ana, foi mostrado que estava sendo violada essa lei, o que ocorre quando os filhos perpetuam o sofrimento de seus pais: “(…) como eu estava sendo reverente a ela: permanecendo doente”.

 

 

 

Quando os filhos tentam expiar pelos seus pais, acabam se julgando superiores a eles. Assim, os pais passam a ser tratados pelos filhos como crianças, que assumem o papel de pais. Segundo a ordem do equilíbrio, é preciso que se respeite o que pertence pessoalmente aos pais e o que eles podem e devem fazer por eles mesmos. Foi o que também percebeu Aryana Tonelle Balbinot, administradora de empresas, 31 anos, ao participar de um workshop em constelação familiar, conduzido por Cássia Machado: “No workshop, fiz uma descoberta que me possibilitou voltar ao lugar de filha, um divisor de águas na minha história. Muitos problemas foram solucionados somente por essa reorganização, pois eu estava fora do meu lugar”.

Como a família é fundada?

Já a terceira diz que há uma hierarquia a ser preservada, em que os mais antigos vêm antes dos mais novos. A hierarquia familiar segue então o fluxo do tempo, uma ordem de precedência. Por exemplo, Hellinger aponta que, numa família, os pais devem ser um casal, antes de qualquer coisa. É o amor entre eles que funda a família, sendo que seu amor como casal tem precedência sobre o que vem depois, ou seja, sobre seu amor de pais em relação aos seus filhos. Para que haja ordem, portanto, o casal deve ter prioridade. Nas famílias em que os filhos atraem para si toda a atenção, ocorre desequilíbrio do amor.

Essas leis que regem as relações humanas, portanto, acabam sendo as mesmas que evitam o fracasso na vida de alguém. Hellinger aponta que as ordens do sucesso se manifestam, em muitos aspectos, como ordens do amor, uma vez que se faz necessário reservar, a todos aqueles que pertencem ou que já pertenceram, o seu respectivo lugar, bem como reconhecer os seus direitos.

 

Curando sentimentos negativos

Carlos Limeira Sete, 39 anos, servidor público, conta que tinha dificuldade de aceitar seus pais: “Tinha aquele sentimento de que tudo que não dava certo era culpa deles, por não terem me dado condições para enfrentar a vida, tanto afetiva, quanto financeiramente. Dentre outras tantas situações que acredito terem sido o desdobramento disso, o sentimento negativo era o que mais afetava minha rotina. Sentia os dias pesados, por vezes me pegava cansado ao realizar atividades simples. Guardava um sentimento de inferioridade, algo que me aborrecia bastante. De um modo geral, eu carregava uma angústia constante. Parecia que sempre faltava algo em minha vida, ainda que estivesse em uma viagem, ou bem acompanhado, ou mesmo possuindo um carro zero. Enfim, sempre estava buscando encontrar uma suposta felicidade”.

Foi então que, em fevereiro de 2014, Carlos participou de uma constelação. “A constelação me fez sentir no meu lugar de pertencimento. Coloquei meus pais em seu lugar de honra, passei a reverenciá-los. Sumiu o peso da mágoa e abriram-se espaços para que coisas boas e novas aparecessem na vida”. Carlos conta também que, na constelação, com Cássia Machado, conseguiu superar o sentimento negativo que possuía em relação a sua mãe e, então, sua vida prosperou: “Na ocasião, Cássia me dizia que a energia do dinheiro é feminina, já que é a fêmea que multiplica. Se eu retirasse esse sentimento, então, minha vida prosperaria”. Carlos deu aos seus pais o lugar que lhes cabe e então manifestou sucesso.

 

BOX – Onde fazer um workshop de constelação em Brasília

A constelação também pode ser aplicada a um meio profissional. A utilização das leis sistêmicas no âmbito empresarial será abordada em uma próxima oportunidade. A teoria pode ainda ser encontrada em mais de 100 livros de Bert Hellinger, mas, para quem deseja experimentar um workshop em constelação, na prática, Cássia Machado, psicóloga e consteladora familiar e organizacional, tendo participado de vários seminários com o próprio Hellinger, há mais de dez anos vem aplicando o método, com uma percepção que impressiona e com um toque especialíssimo que traz da psicologia. Ao longo de sua carreira, Cássia Machado sempre esteve em busca de novos conhecimentos e novas formas de poder contribuir para a construção de indivíduos mais autônomos. É uma profissional respeitada pela experiência e seriedade com que conduz o atendimento aos clientes. Como participante de uma das constelações dirigidas por Cássia Machado, Raquel Antunes, geógrafa, 25 anos, atesta: “A Cássia realiza um trabalho incrível com um efeito real. É uma experiência positiva e eu já sinto os nós se desfazendo”.

Tamanha prática permitiu que ela apresentasse a ciência capaz de reorganizar e promover o equilíbrio dentro do sistema familiar e organizacional a que cada indivíduo pertence, em diversas capitais do Brasil – Brasília, Belo Horizonte, Londrina, São Luís, São Paulo e Rio de Janeiro – e também no exterior, como Miami e Londres. Além de workshops, Cássia também realiza constelações individuais em seu consultório em Brasília.

 

SERVIÇO

Cássia Machado

SCN, Quadra 5, bloco A, Torre Sul, Sala 804 (Brasília Shopping)

Clínica Equilíbrio Terapias Integrativas

Rua dos Pardais, nº 16B (Renascença II, São Luís, MA)

Tels: (61) 99223-3001 | (98) 3302-0973 | (98)98253-8765

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