Cores dos Ipês encantam os brasilienses

A árvore típica do Cerrado aproveita o clima seco da cidade para colorir o cenário da capital.

Por: Ruggere Borges

Todo mês de junho as cores tomam conta de Brasília. Isso é graças aos ipês, que começam a florescer a partir dessa época do ano. A árvore típica do Cerrado aproveita o clima seco da cidade para colorir o cenário da capital.

As cores dos ipês encantam os brasilienses, que andam pela cidade podendo presenciar as cores vivas das árvores que estão presentes no Eixo Monumental, nas quadras residenciais, Esplanada dos Ministérios e outros lugares de Brasília. Priscila Oliveira, doutora em botânica e diretora de fitologia do Jardim Botânico de Brasília, destaca que os ipês começam a florescer quando todas as outras já floresceram. A doutora relata que o ciclo no tempo de diferença da floração contribui para oferecer recursos aos polinizadores, vetor animal responsável pela transferência de pólen. “Como eles florescem em uma época diferente de outras espécies, os polinizadores sempre têm recursos”.

O ipê é uma árvore típica do Cerrado e se desenvolve em temperaturas entre 18oC e 26oC. As árvores podem ter de oito a 20 metros de altura e levam cerca de 20 anos para os troncos tortos de casca dura se desenvolvam. As cores obedecem uma ordem de aparecimento. Em junho, os ipês roxos enfeitam as ruas contrastando muito bem com o céu azul e claro por conta do clima seco da época. Depois é a cor rosa que toma contas das árvores espalhadas pela cidade.  Em seguida, vem a cor amarela, depois as folhas são verdes e, por fim, a floração de cor branca no mês de outubro.

É comum achar que uma mesma árvore possui floradas de cores diferentes. Mas o fato é que cada espécie tem a sua própria coloração, ou seja, se uma árvore tem a floração amarela, ela só vai florir nesta cor e assim também acontecem com as outras colorações. O ipê amarelo, que é mais comum de ser visto pela cidade, possui 13 espécies diferentes da mesma cor. “A pessoa pode achar que as árvores são um pouco diferentes. Vegetativamente elas são diferentes umas das outras, mas com a florada da mesma cor”, afirma Priscila.

A cor mais rara de ser encontrada em uma vegetação natural, que não foi tocada pelo homem, é a branca. Para cada 10 ipês amarelos, um ipê branco é encontrado, segundo a doutora. “Cada espécie tem uma estratégia de reprodução. Como se consegue fazer a muda dos ipês amarelo e rosa com mais facilidade, eles estão mais distribuídos”. A inflorescência não abre toda de uma vez em um único dia. Ela tem um ciclo para ficar mais tempo com as flores abertas, que vão abrindo de acordo com a necessidade da planta.

Os ipês já existem antes mesmo de Brasília ser construída e sua maior característica é a floração massiva com uma copa bem vistosa e abundante. Como outras espécies de plantas, o ipê precisa de espaço, um solo bom, sol e água para se desenvolver completamente. “Quanto mais preservado estiver o local onde a planta será colocada, melhor ela vai se desenvolver”.  Hoje, o Distrito Federal conta com aproximadamente 700 mil árvores de ipê, segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e todo ano 10 mil mudas são plantadas para manter a preservação e manutenção dessa espécie.

No mês de julho foi realizado o primeiro Festival do Ipê. Os brasilienses se reuniram no canteiro central do Setor de Autarquias Sul para celebrar a chegada das cores na cidade. A ideia do projeto é reunir o que Brasília tem de melhor e levar as pessoas paras as ruas. Shows com bandas locais animaram o festival, enquanto amigos e famílias curtiram o evento sentados em toalhas embaixo de ipês. Outro evento que celebrou a chegada das cores em Brasília este ano foi a inauguração da Praça da Cidadania, localizada no Eixo Monumental atrás do Teatro Nacional. Na ocasião, 300 mudas de ipês amarelos foram plantadas no local.

 

A diversidade de cores dos Ipês de Brasília encanta a todos

Deixe sua resposta