Empreendedor pioneiro

Focado, esforçado e versátil. Dono de uma personalidade multifacetada, o fundador da Farmacotécnica Rogério Tokarski fala sobre o trabalho de 42 anos em Brasília e projeta novos desafios no agronegócio

Por Karol Araújo

Em 1949 nasceu, na cidade de Canoinhas, em Santa Catarina, Rogério Tokarski, descendente de alemães e poloneses. Com 11 anos de idade, ele ouviu em um radio a pilha as primeiras informações sobre a capital do país. Nasceu ali o interesse por Brasília. Rogério é técnico-agrícola de formação, gostava de agropecuária, mas foi como farmacêutico que seu talento apareceu.

Na época não existiam tantas oportunidades de se prestar vestibular, só abriam vagas uma vez por ano. Tokarski prestou vestibular para farmácia e passou em primeiro lugar na Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. O jovem catarinense se deu bem no curso, ficando em primeiro lugar na classe, e conciliando atividades complementares de líder estudantil, presidente do Diretório Acadêmico e depois como presidente do Diretório Central Estudantil (DCE).

Enquanto estudante, Rogério participou do Projeto Rondon, desenvolvido pelo Ministério da Defesa, levava estudantes universitários para conhecer e trabalhar em outras regiões brasileiras. Por causa dessa expedição, ele aprendeu e incorporou o lema: “integrar para não entregar”.

Além da troca de experiências, o projeto deu a ele a oportunidade de conhecer Brasília. Pelos olhos claros, Tokarski viu a prosperidade da cidade e a possibilidade de se criar uma empresa. Como estudava Farmácia em uma universidade federal, cursou os três primeiros anos e complementou a parte de análises clínicas de Bioquímica na Universidade Federal do Goiás. Mesmo não morando na cidade, a proximidade com o estado de Goiás o manteve próximo do sonho de empreender na capital federal.

Terminou o curso e viu que a real vocação eram os medicamentos, tanto que não se dedicou às analises clinicas. Formado numa turma de apenas quatro alunos, Rogério usou a oportunidade de empreender como combustível para acelerar a graduação e partir para estágios e especializações. O Hospital das Clínicas e a Santa Casa, em São Paulo, fizeram parte da sua grande trajetória. Lá se produzia 80% dos medicamentos consumidos nos hospitais. “A cultura de se fazer medicamento personalizado tinha terminado no Brasil, era o domínio da indústria e eu, impaciente, fui à procura de estágios”.

O catarinense de Canoinhas também fez estágio em Buenos Aires, na Argentina, para ter uma sólida formação na arte de fazer medicamentos porque no Brasil não existiam farmácias de manipulação abertas ao público, apenas drogarias. “Se você tinha 55Kl, você tomava a mesma dosagem que uma pessoa de 90Kl, ou seja, as pessoas tomavam muito mais medicamentos que o necessário”.

Mudou-se para a capital federal, em 1976, em uma época que Asa Sul nem era ligada a Asa Norte. Prestou concurso na Fundação Hospitalar de Brasília, passou em primeiro lugar, mas não assumiu porque a Fundação e Secretaria de Saúde queriam que os farmacêuticos concursados apenas contassem os remédios que seriam entregues aos pacientes. “Eu não tinha me formado para aquilo, para ser contador, de caixas no caso”, relata.

Em 1976, Rogério Tokarski fundou a Farmacotécnica, empresa referência na manipulação de medicamentos. Brasília adotou o jovem sulista e ele devolveu, com empenho e competência, produtos de alta qualidade que oferecem bem estar. E essa qualidade já lhe rendeu prêmios. Ele recebeu o Prêmio Racine Farmacêutico do Ano, em 1999, e recebeu um livro que narra e homenageia sua carreira.

Disciplina de gestor no campo

Além da Farmacotécnica, Rogério se dedica a outras atividades. Uma delas é o Projeto Preservar, que abusa do seu lado técnico-agrícola, e consiste em ensinar o cultivo de ervas medicinais para estudantes, levando em conta que 60% dos medicamentos do planeta vem das ervas. O projeto não tem nenhum apoio de governo. Tudo é financiado pelo próprio empresário, que é dono dos terrenos localizados no Núcleo Rural Vargem Bonita, no Park Way.

A criação de cavalos, carneiros e gado, que antes eram hobby se tornaram novas oportunidades de negócio. No seu haras, Tokarski  cria os cavalos Árabe, carneiros Dorper, White Dorper e Santa Inês e  a raça de boi Wagyu. “Nos dedicamos com extrema atenção. Tudo que faço é para ser bem feito. Se eu vou criar o Wagyu, eu quero ter a melhor carne. Se tenho um cavalo, quero que meu cavalo seja um dos melhores. Por que isso? Porque eu não posso ter produtos de segunda. Isso está na minha formação”.

Um dos próximos passos do farmacêutico é entrar no ramo de produção de carnes nobres, já que sua nova empresa tem quantidade suficiente de bois Wagyu para produzir no varejo. Segundo Rogério, o projeto deve entrar no mercado em breve.

Influência profissional na família

Ainda na época de estudante conheceu, em um congresso em Belo Horizonte, a namorada capixaba que tem descendência italiana e espanhola, Romelita Los Millagres, que anos depois se tornou sua esposa. Romelita que, também é farmacêutica, adotou o nome do esposo e com ele teve duas filhas.

As duas adquiriram a paixão pela profissão dos pais e se tornaram farmacêuticas. Os irmãos de Tokarski sentiram-se influenciados e fizeram farmácia, assim como os sobrinhos e primos. Ele conta com brilho nos olhos que hoje são a maior família farmacêutica que se conhece no Brasil.

Questionado se teria sido mentor da família, Rogério afirma que sim, que foi o mentor na profissão, mas tudo só deu certo porque os familiares fizeram algo que gostavam e se empenharam para serem os melhores.

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