ONU pede que Brasil revogue decreto sobre trabalho escravo

Especialistas da ONU criticaram emitido em outubro pelo Ministério de Trabalho do Brasil por restringir a definição da escravidão moderna e pediram que seja revogado definitivamente.

“É essencial que o Brasil tome ações decisivas para evitar retroceder nas medidas contra a escravidão que se têm aplicado na última década”, pediu a relatora da ONU sobre formas de escravidão contemporânea, Urmila Bhoola.

A especialista considerou que os maiores prejudicados, se houver um retrocesso nesta matéria, serão os mais pobres e as populações excluídas, que são as mais suscetíveis a cair em situações similares à escravidão.

A legislação brasileira estabelece que o trabalho forçado é uma forma de escravidão moderna e que dentro desta figura podem ser incluídos aquele realizado por dívidas, sob condições degradantes, que representam um risco para a saúde, e também jornadas de longas horas.

No entanto, organizações defensoras dos direitos humanos assinalaram que o novo decreto limita agora a escravidão à liberdade de movimento da pessoa, excluindo os outros tipos de abusos que estavam considerados.

Também para a presidente do Grupo de Trabalho da ONU que supervisiona o respeito dos direitos humanos nas transnacionais, Surya Deva, a aplicação da nova legislação significaria um passo atrás no combate à escravidão moderna no Brasil.

Deva lembrou que em um relatório que esse grupo de trabalho apresentou à ONU em 2016, após uma visita ao Brasil, o país foi elogiado pela iniciativa de criar uma lista que incluiria informação sobre empregadores que utilizavam formas modernas de escravidão.

“Igualmente nos preocupam outros fatos, como o corte do orçamento para as inspeções trabalhistas, que são fundamentais para detectar este problema”, acrescentou Deva.

Por estas razões, ambas especialistas da ONU elogiaram que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha ordenado a suspensão temporária do decreto, mas pediu ao governo que o revogue de maneira definitiva.

Foto: Beto Barata/PR

Fonte: Agência EFE

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