Espelhamento é tema da nova edição do Cine Cleo

Após sucesso da estreia, cineclube retorna com a exibição de produções feitas por mulheres no Dulcina
Por Luis H Andrade

A sétima arte agora é delas: mulheres de Brasília e convidadas que mostram suas habilidades como roteiristas, produtoras, debatedoras e diretoras. Com estreia lotada no dia 19 de outubro, o Cine Cleosegue ocupando  a sala Conchita da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (Conic – Setor de Diversões Sul). A próxima sessão será na quinta-feira (16/11), às 19h, com entrada franca.

Apresentações de curtas e longas-metragens inéditos, reprises de filmes com temáticas reflexivas e rodas de bate-papo ao final compõem este projeto idealizado por uma equipe de 10 mulheres da capital federal. Os filmes são delas, das mulheres brasileiras que ganham cada vez mais força no mercado cinematográfico e buscam mostrar suas vozes dentro e fora das telonas. As sessões quinzenais acontecem até agosto de 2018, sempre às quintas-feiras.

Após a estreia, que teve como foco o tema Tradições e Rupturas, elas retornam com a temática Espelhamento. Escolhidos a dedo, os curtas-metragens Rainha, de Sabrina Fidalgo; Das Raízes às Pontas, de Flora Egécia; e o longa Entorno da Beleza, da pesquisadora da UnB Dácia Ibiapina, serão exibidos para o  público. As produções partem de um ponto em comum e deixam a reflexão: o que é belo? Questões estéticas, imposições de padrões e a luta contra os mesmos são assuntos que permeiam a sessão nas mãos destas diretoras.

O Cine Cleo homenageia Cleo de Verberena (1909- 1972), a primeira mulher brasileira a dirigir um longa-metragem no país,O Mistério do Dominó Preto, em 1930.  O projeto é uma realização da Secretaria de Cultura do Distrito Federal com o patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura. O cineclube faz ainda parceria com o projeto Verberenas, site colaborativo de críticas de cinema escritas por mulheres realizadoras audiovisuais. O projeto nasceu em 2015, dentro da Universidade de Brasília.

A beleza de cada

Quando a jovem Rita realiza finalmente o sonho de se tornar a rainha da bateria de samba de sua comunidade, ela passa a lutar contra pressões internas e externas. Luiza, adolescente de 12 anos, mostra-se orgulhosa de seu cabelo crespo e ancestralidade. Estas são as histórias dos curtas de ficção Rainha e do documentário Das Raízes às Pontas. Cada qual com sua polêmica, os filmes de Sabrina Fidalgo e Flora Egécia revelam a beleza, mas também as dificuldades e a batalha para quebrar os estereótipos dos impositivos padrões sociais.

Enquanto uma parte da ficção de Rita e da realização do seu sonho, o outro documenta, por meio de entrevistas, uma série de pessoas, de diferentes perfis. Todos ressaltam o papel do cabelo crespo como elemento fundamental da identidade negra. No encerramento, Dácia Ibiapina apresentará o documentário Entorno da Beleza. O longa-metragem foi exibido na 45ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e gira em torno dos bastidores dos concursos de miss realizados nas regiões administrativas do Distrito Federal.  As contradições e disputas que se passam nos camarins, passarelas e ensaios são retratados pelo olhar sensível da diretora e pesquisadora. Ibiapina e Flora Egécia estarão presentes para conduzir um debate ao fim da sessão.

Sinopses da sessão Espelhamento

 

Entorno da Beleza (Dácia Ibiapina) Documentário (1h11) – Temporada de concursos de miss em Brasília e cidades-satélites do Distrito Federal. Contradições afloram em ensaios,camarins e passarelas

Rainha (Sabrina Fidalgo) Ficção (30 min) – Rita finalmente realiza o sonho de se tornar a rainha de bateira da escola de samba de sua comunidade. Porém ela terá que lutar contra forças obscuras, internas e externas.

Das Raízes às Pontas (Flora Egécia) Documentário (20 min) – Luiza tem 12 anos e fala com orgulho de seu cabelo crespo e sua ancestralidade. A história de Luiza é uma exceção. Os entrevistados, dos mais diversos perfis, falam sobre o papel do cabelo crespo como elemento do tornar-se negro e como ato político contra imposições estéticas. Questionar os padrões de beleza, que são impostos cada vez mais cedo e tratar a afirmação do cabelo crespo como um dos elementos fundamentais da identidade negra são a principal temática do filme, que também avalia a aplicação da Lei 10.639/03 que regulamenta o ensino da História Afro-Brasileira e Africana nas escolas brasileiras.

Ficha técnica:

Curadoria: Amanda Devulsky, Erika Bauer, Glênis Cardoso, Isabelle Araújo

Produção executiva: Natália Pires

Produção técnica: Isis Aisha e Janaína Montalvão

Design e assessoria de comunicação: Flora Egécia (Estúdio Cajuína) Bianca Novais (Estúdio Cajuína)

Assessoria de imprensa: Baú Comunicação Integrada

Social media: Tainá Seixas

Serviço

Cine Cleo (Cineclube das mulheres)

Dia 16 de novembro, às 19h.

Em cartaz até agosto de 2018, quinzenalmente, sempre às quintas-feiras, às 19h.

Local: Sala Conchita da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes – Conic (SDS)

Entrada franca

Informações: www.facebook.com/cinecleo/

Não recomendado para menores de 16 anos

 

*com informações da assessoria

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