Estão abertas as inscrições para as oficinas e debates do Favela Sounds 2017

Por Luis H Andrade*

O Favela Sounds – Festival Internacional de Cultura de Periferia chega à sua segunda edição em 2017 se abrindo ainda mais intensivamente para uma programação internacional, com artistas genuinamente de favelas, e traz à tona questionamentos referentes a processos migratórios e deslocamentos humanos, entre outros temas de interesse do universo periférico.

Entre os dias 30 de outubro e 4 de novembro de 2017, o festival leva ao público do Distrito Federal quatro oficinas, quatro debates e dois dias de baile, com shows de grandes expoentes da música de Favela do Brasil e do mundo na área externa do Museu Nacional. Xande de Pilares (RJ), Titica (Angola), Linn da Quebrada (SP), Baco Exu do Blues (BA), ABRONCA (RJ), Larissa Luz (BA), Telefunksoul (BA), Tati Quebra Barraco (RJ), Dama do Bling (Moçambique), Wesli Band (Haiti/Canadá) e os DJs Darlly Matos (MA) e Iasmin Turbininha (RJ) são alguns dos nomes já confirmados para esta edição. Em comum, todos os artistas têm origem nas periferias das capitais de onde vieram e atuam de forma expressiva em diferentes localidades do país com suas canções cheias de força política e dançantes.

O som do DF também será presença marcante na programação do Festival. Entre os representantes da capital estão Thabata Lorena, cantora maranhense radicada em Brasília, DJ Kacá, conhecido por ser um dos DJs de funk carioca mais atuantes da cidade, DJ Donna, representante de peso da black music nas pistas brasilienses, Rosa Luz, rapper trans-feminista e youtuber responsável pelo canal Barraco da Rosa, DJ Pati Egito, adepta de sets festivos dominados pelo tecnobrega, Magu Diga How, rapper de São Sebastião, e o África Tática, banda formada a partir da oficina de rima do Favela Sounds 2016.

Com patrocínio da Oi, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Distrito Federal, e realizado pela Um Nome Produção e Comunicação, a programação do Favela contempla oficinas em diferentes regiões administrativas do DF. Coordenadas pela rapper e educadora Vera Verônika, etapa de oficinas ganha o nome de Ralação e terá os seguintes temas: “Comunicação e Mídia para artistas e negócios de periferia”, com Sandro Menezes (Oi Futuro/RJ) e Rosa Luz (DF); “Técnic@s de Roadie e Luz: sem el@s não tem show”, com os técnicos do festival, Maranhão e Galeno Menezes (DF); “Radiodifusão: produção de conteúdo para rádio com o programa Deguste Cultura”, ministrada por Mario Sartô (DF) e Karina Cardoso (DF); e “Fotografia: Leitura de Portfólio”, com o fotógrafo francês Vincent Rosenblatt”.

As oficinas este ano acontecem no Espaço Cultural Ubuntu (Recanto das Emas), Jovem de Expressão (Ceilândia), Rádio Utopia FM (Planaltina), Rádio Cultura FM (Asa Sul) e Galeria dos Proletas (Planaltina). Já o momento Papo Reto é destinado a debates com artistas da programação do projeto, além de convidados especiais, em ações coordenadas pelo antropólogo Dennis Novaes. Os bate-papos levam os seguintes nomes: “Transfavele-se! Música e gênero nas quebradas”, “Sons do além-mar: música e migrações”, “Bota a Cara: arte e comunicação nas periferias” e “Kabo Kaki você vai longe: o feminismo das mina preta”.

O festival conta ainda com a projeção mapeada “Rio Baile Funk”, projeto do fotógrafo francês Vincent Rosenblatt, que expõe renomados e históricos ensaios fotográficos do artista nos bailes funk cariocas, recontando a história do funk no Rio de Janeiro.  A projeção acontece ao longo dos shows, dias 3 e 4 de novembro, na cúpula do Museu Nacional.

Favela Sounds realiza oficinas, também, em unidades do Sistema Socio-educativo do Distrito Federal. Em formato de pocket shows, Vera Verônika, Nego Dé e o DJ Chocolaty se apresentam e compartilham suas trajetórias artísticas com meninas e meninos do sistema: um papo inspirador sobre liberdade, vida na periferia e os desafios das realidades dos jovens em questão.

A curadoria musical do Favela Sounds foi feita por Guilherme Tavares e Amanda Bittar, diretores da Um Nome Produção e Comunicação.

Veja a programação completa do Ralação:

30 de outubro a 3 de novembro

Técnic@s de Roadie e Luz: sem el@s não tem show

Com Maranhão e Galeno Menezes (DF)

A oficina tem como objetivo ensinar jovens interessados/as no ramo da cultura/entretenimento as noções básicas necessárias para o trabalho de um/a roadie e um/a técnico de luz, cargos essenciais na realização de qualquer evento. A oficina prática tem como objetivo formar novos profissionais dos palcos do DF que praticarão pela primeira vez no Festival Favela Sounds.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local: Espaço Cultural Ubuntu – Quadra 101 Área Especial 01, Lote 18, Loja 04 – Recanto das Emas

Fotografia: Leitura de Portfólio

Com Vincent Rosenblatt (França/RJ)

Oficina voltada a jovens fotógraf@s, onde o renomado fotógrafo Vincent Rosenblatt fará uma leitura de seus portfólios para aconselhamento artístico. A oficina oferece uma direção profissional no universo da fotografia, pensando em novas abordagens estéticas. A oficina contará com momentos coletivos e individuais e os questionamentos sobre engajamento e olhares serão ponto de partida para a vivência fotográfica. Com a conclusão da fase de leitura e aprimoramento dos portfólios, alguns dos alunos da oficina terão a oportunidade de apresentar seus cliques em projeção no Museu Nacional, ao longo dos shows no Festival Favela Sounds.

Pré-requisitos: Ser e/ou querer ser fotógraf@, ter material fotográfico e/ou esboço a ser analisado (impresso ou em pen drive).

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local: Jovem de Expressão – Praça do Cidadão – Ceilândia

Comunicação e Mídia para artistas e negócios de periferia

Com Sandro Menezes (Oi Futuro/RJ) e Rosa Luz (DF)

A oficina de Comunicação voltada para a cultura de periferia tem como objetivo munir os/as jovens artistas de periferia com ferramentas de comunicação para divulgação de seus trabalhos. No primeiro momento com foco nas formas de divulgar, noções básicas de divulgação e difusão de seus trabalhos via mídias tradicionais e digitais, pensando na forma mais eficiente e financeiramente viável: da confecção de um cartaz à presença em mídias sociais, aplicando técnicas de marketing que levam em conta preço, praça, promoção e produto. E no segundo momento as estratégias de comunicação e práticas de Youtubers tomarão conta desta oficina, incentivando à vivência do maior número possível de possibilidades de comunicar, pensando e vivenciando o audiovisual como marketing e produto.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local: Galeria dos Proletas (Módulo 07, Casa 22, Mestre D’armas) – Planaltina

Radiodifusão: produção de conteúdo para rádio com o programa Deguste Cultura

Com Mario Sartô e Karina Cardoso (DF)

A oficina de rádiodifusão tem como objetivo ensinar e incentivar a divulgação da produção/veiculação musical e noticiosa de periferia por meio das rádios, sejam elas comerciais, comunitárias ou online, proporcionando aos jovens noções de como trabalhar a produção de conteúdo para o Rádio. Levando em conta os cenários em que a música de periferia se desenvolve e a crescente facilitação do acesso à internet, a oficina leva em conta também os ambientes das rádios online, que não são veiculadas necessariamente em frequências FM ou AM, assim como considera o poder das Rádios Comunitárias, extremamente importante no cenário das periferias brasileiras. A parte pratica, será na Rádio Cultura FM, na construção, edição e apresentação do Programa Deguste Cultura.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local:  Rádio Utopia FM (CR 42, Casa 10, Vale do Amanhecer – ONG Pimev) – Planaltina

Veja a programação completa do Papo Reto:

Sexta – 3 de Novembro

13h – Transfavele-se! Música e gênero nas quebradas

Museu Nacional – Auditório I

Nas quebradas do país e do mundo uma revolução está em curso. Artistas que transcendem padrões inspiram um futuro livre para todxs, trazendo fachos de luz nas trevas do preconceito. O papo aqui é babado, confusão e gritaria.

Convidados:  Titica (Angola) e Linn da Quebrada (SP)

Mediação: Marcelo Caetano (DF)

15h – Sons do além-mar: música e migrações

Museu Nacional – Auditório I

A música exerce um papel fundamental na conexão entre as diferentes comunidades negras espalhadas mundo afora. Do Bronx ao Haiti, da Bahia à Angola, estamos ligados por sons que atravessam oceanos. Estarão presentes aqui artistas que constroem estas pontes e mesmo em continentes separados aproximam pessoas, além de figuras responsáveis pelo acolhimento de refugiados no Brasil.

Convidados: Wesli (Haiti/Canadá), ACNUR (DF) e Coletivo Bambuo (DF)

Mediação: Thânisia Marcela (DF)

Sábado – 4 de Novembro

13h – Bota a Cara: arte e comunicação nas periferias

Museu Nacional – Auditório I

As favelas são tratadas frequentemente como lugares de violência e miséria. Estes artistas exploram novos caminhos de comunicação para mostrar a juventude favelada como ela realmente é: criativa, potente e transformadora.

Convidados: Iasmin Turbininha (RJ), Vincent Rosenblatt (França/RJ) e Jonathan Dutra (DF)

Mediação: Maíra Brito (DF)

15h – Kabo Kaki você vai longe: o feminismo das mina preta

Museu Nacional – Auditório I

Seja escrevendo, produzindo nos bastidores, com um microfone na mão ou na produção de texto, as mulheres negras vêm abrindo caminhos para tornar o mundo um lugar mais justo para todas. Reunimos aqui algumas destas rainhas para que compartilhem suas histórias de vida, pensamento e luta.

Convidadas: Tati Quebra Barraco (RJ), Dama do Bling (Moçambique) e Hellen Cristhyan Kahlo (DF)

Mediação: Ana Flávia Magalhães Pinto (DF)

*Com informações da assessoria

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