FLORESTA DIGITAL

Exposição apresentada na Caixa Cultural reúne elementos folclóricos com  última geração em animações 3D. O público brasiliense é o primeiro do país a conhecer e participar de uma história cativante

Por Iara Nóbrega

Bichos, plantas, índios, uma menina que medita… Numa composição que interage com o público Interatividade em um ambiente de realidade virtual. Essa é a proposta da dupla VJ Suave com a mostra cultural “O Essencial é Invisível aos Olhos”, em cartaz desde o dia 31 de maio na Caixa Cultural Brasília, no Setor Bancário Sul Quadra 4 Lotes 3/4.

A exposição, que estará aberta até dia 16 de julho, levará o público para uma floresta encantada, virtual e interativa. Brasília, que nunca recebeu um evento com essa característica, é a primeira cidade a ter essa mostra. Por conta disso, os artistas Ceci Soloaga e Ygor Marotta demonstraram toda a expectativa e nervosismo durante a inauguração, que aconteceu no dia 30. Até a abertura do ‘O Essencial’, foi uma batalha de três meses trabalhando para que conseguissem concretizar a fantástica floresta. “Era uma ideia louca, que tinha que dar certo”, disse Ygor,  na estreia.

A ideia surgiu a partir de uma visita de um índio na casa deles, em São Paulo. Esse encontro proporcionou para os artistas um rico conhecimento no qual podemos aprender durante a imersão na floresta digital. A realidade virtual interativa, apresentada por eles, não é como estamos acostumados, com óculos com três dimensões comuns que vendem nas lojas ou são distribuídos nas salas de cinema. É uma instalação que une tecnologia animação 3D com um par de controles que te possibilitam a interação com os personagens. O cenário se relaciona com as pessoas e permite que elas passem por experiências multissensoriais. “A casa escolhe que você faz e a interatividade da história torna a jornada única e surpreendente”, conta a dupla VJ Suave.

Num misto de divertimento e informação, ‘O Essencial’ leva o público a uma reflexão para importância da natureza e a responsabilidade em preservá-la. Os índios, protagonistas desse enredo virtual, ensinam os tratamentos de doenças pelas plantas e trocas de energia. “Uma imersão que lembra a importância e preservação da nossa mãe-natureza e seus mistérios, trazendo-a para o mundo virtual e, dessa forma, louvando sua existência no mundo real”, relatam os artistas.

Nas paredes da galeria é possível encontrar instruções gerais para o manuseio dos controles manuais e os óculos para a imersão na floresta encantada. É preciso acomodar os óculos na cabeça para que a imagem fique focada. Não é preciso que você literalmente ande para chegar aos locais dentro da imersão, afinal os controles já te dão essa possibilidade. Para interagir com os personagens, as plantas e os vagalumes é necessário ficar bem próximo para conseguir realizar a interatividade.

Nesse jogo sem fases e obstáculos, mas muito educativo, a profusão de cores da nossa exuberante fauna e flora, os sons do ambiente e a oportunidade de tocar instrumentos virtuais são amparados por um percurso virtual, que atrai a atenção e desperta as mais diferentes sensações nos participantes.

A tecnologia requer alguns cuidados: não é aconselhado a pessoas com problemas relacionados ao equilíbrio, como a labirintite. É normal se sentir um pouco enjoado ou com uma leve tontura na primeira imersão, se a sensação persistir será orientado que tire os óculos imediatamente. Não se esqueça dos cabos que saem do óculos que ligam à máquina (onde são enviadas as imagens), porque eles podem te enrolar enquanto está viajando na imersão.

VJ Suave é um duo de New Media Art formado por Ceci e Ygor, que atualmente moram em São Paulo. Eles são especialistas em projeção em movimento e trabalham com animação, dando vida à personagens em paredes e muros nas cidades, contando histórias cheias de cores criando uma conexão entre o surreal e o real. A primeira vez que estiveram em Brasília foi em 2002, na mostra cultural intitulada “Folclore Digital”, que contava a história do folclore brasileiro em projeções animadas e coloridas.

Serviço:

O Essencial é invisível aos olhos – VJ Suave

Local: Caixa Cultural Brasília – Galeria Principal

Visitação aberta ao público: de 31 de maio à 16 de julho de 2017

Horário: De terça-feira a domingo, das 9h às 12h e 13h às 21h

Classificação indicativa: 10 anos

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Entrada Franca

 

Além desta mostra interativa, começam no dia 31 de maio mais três exibições na Caixa Cultural Brasília:

– Flávio de Carvalho – Expedicionário

Um pouco da trajetória artística e vanguardista de Flávio de Carvalho pode ser vista nessa mostra que reúne um rico material iconográfico e textual resultado dos projetos expedicionários desse multiartista modernista. Com a curadoria de Amanda Bonan e Renato Rezende, estão expostos fotografias, documentos, cadernos de viagem e matérias de jornal; e será projetada também uma edição do filme realizado em 1956 durante uma de suas expedições à região amazônica.

Local: Galeria Vitrine

Abertura: 6 de junho, às 19h

Visitação: 7 de junho a 20 de agosto. Terça-feira a domingo, das 9h às 21h

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

 

– O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália

Com curadoria de Clay D’Paula, a CAIXA Cultural Brasília recebe uma significativa e diversificada coleção de obras de arte contemporânea dos povos indígenas da Austrália, parte do acervo da Coo-ee Art Gallery, a mais antiga galeria de arte aborígene desse país. Na mostra, pinturas, esculturas, litografia e bark paintings representam o costume dos artistas aborígenes em pintar sua história e costumes com o propósito de repassá-los às futuras gerações.

Local: Galerias Piccola I e II

Abertura: 30 de maio, às 19h

Visitação: 31 de maio a 16 de julho. Terça-feira a domingo, das 9h às 21h

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

 

– Coleção Brasília – Patrimônio Cultural da Humanidade

A CAIXA Cultural Brasília expõe obras pertencentes ao Acervo Artístico CAIXA e que foram encomendadas a vários artistas em 1987, ano em que a UNESCO concedeu a Brasília o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Inspirado nas formas criadas por Oscar Niemeyer, nos habitantes da capital e no povo brasileiro, o conjunto de trabalhos exposto inclui artistas como Cláudio Tozzi, Wagner Hermuche, Athos Bulcão, Aldemir Martins e Calasans Neto, dentre outros.

Local: Galeria Acervo

Visitação: até 16 de julho. Terça-feira a domingo, das 9h às 21h

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

 

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