Nathália Lima lança primeiro álbum solo “Flor do Tempo”

Disco se desenvolve em uma poética releitura profundamente enraizada na musicalidade brasileira

Por Luis H Andrade*

Com uma voz cristalina, de timbre singular e raro, a brasiliense Nathália Lima manifesta em seu canto um magnetismo que faz de sua música única. Também compositora, canta desde 2008 profissionalmente, mas só agora lança seu primeiro disco solo intitulado “Flor do Tempo”, que explora um amplo leque no universo da música brasileira. Com dez faixas, traz participações de diversos músicos da cidade e do país e um conteúdo poético nas canções relacionados à memória, ao presente e ao futuro. “É essencialmente um disco que fala sobre o tempo e todas as suas diversas faces e que marca um desabrochar na minha vida e na minha carreira”, disse a cantora. O lançamento do CD será no dia 30 de outubro, às 21h, no Clube do Choro de Brasília.

Sob a direção artística, musical e arranjos de Túlio Borges, reconhecido artista da cidade, o álbum aponta um caminho na identidade da cantora, que tem sua essência na Música Popular Brasileira. “Há vários elementos que podem servir de fio condutor e dar unidade a um trabalho musical. Em um primeiro disco, geralmente, o músico acumulou durante os anos diversos modelos de composição. No caso da Nathália, há influências inegáveis de várias vertentes da música brasileira, o que não é exclusivo dela, pois a MPB é um guarda-chuva muito amplo de referências”, explica Túlio.

Nathália enxerga dois pontos de novidade nesse trabalho, que são: o timbre de voz e a escolha do repertório que contempla músicas com ritmos variados. “Eu vivo a música brasileira em seus diversos estilos e isso se reflete muito nas canções que componho e interpreto. É interessante, pois é isso que faz o trabalho mais rico e cheio de nuances”, disse.

Ao definirem as canções que estavam prontas para entrar no disco, Túlio e Nathália viram que existiam dois grupos definidos e distintos: as que eram mais melodiosas e renderiam mais com instrumentos acústicos e aquelas mais energéticas que soariam melhor com instrumentos plugados. “E assim vestimos cada uma delas de acordo como se mostravam”, conta Túlio Borges. “Tenho certeza que, após este primeiro disco, Nathália ainda terá muito a mostrar nos próximos trabalhos que virão”, completa.

Explorando alguns ritmos como o samba, o choro, as baladas intimistas e algumas canções com tom regional, também presente na trajetória da artista. A obra é embalada ainda pelo ritmo latino, presente na faixa “Tudo que não quis”, canção de autoria própria, que conta com a participação inusitada do rapper Gabriel Reis e do pianista e arranjador paulista Leandro Braga, além de “Festa do Destino”, um vibrante ijexá, parceria de Nathália e Letícia Fialho, cantora e compositora de destaque em Brasília. “É uma composição que apresenta um arranjo especial de sopros feito pelo violonista brasiliense Rafael dos Anjos, que é executado pelos cariocas Lucas Brito (sax) e Aquiles de Moraes (trompete)”, acrescenta a cantora.

Das dez faixas que compõem o trabalho, todas arranjadas por Túlio Borges, seis foram compostas por Nathália, e têm como inspiração o contraste entre o concreto e a natureza que Brasília proporciona. “As composições sempre vieram de uma forma inusitada, geralmente, em momentos em que estou dirigindo, o que desconfio ter muito a ver com as paisagens às quais estou exposta diariamente”, explica. As outras quatro são fruto de um garimpo atento, que revelou as canções “Poema Velho”, uma reflexão profunda feita pelo poeta Manoel Gomes e musicada por Fred Martins, e que, nessa roupagem, traz a participação marcante do cantor paulistano Renato Braz; o samba introspectivo “Batuca Tamborim”, parceria do compositor Sérgio Duboc e o poeta Vicente Sá; “Residência”, um choro seresteiro composto pelos piauienses Naeno Rocha e Climério Ferreira, que se tornou ainda mais brilhante com a presença do timbre particular da cantora paulista Simone Guimarães, a flauta do carioca Eduardo Neves, e o violão 7 cordas do goiano Rogério Caetano; além do baião de letra cortante “O Tempo da Vida”, uma parceria do próprio Túlio Borges com Climério Ferreira, e que por sua vez conta com a participação descontraída de Afonso Gadelha, cantor e compositor paraibano.

A faixa de trabalho do álbum é “Barracão”, de autoria da própria Nathália feita em 2011, que fala sobre desilusão e saudade vistas na perspectiva de um humilde sambista que sofre ao ser abandonado pela mulher que ama. Emblemática, “Barracão” marcou os primeiros passos da cantora como compositora e abriu algumas portas importantes, como a classificação no Festival Nacional da Canção, em 2017.

Além de participações de cantores e instrumentistas de outros estados, a intérprete prezou por valorizar alguns dos reconhecidos artistas da cena musical de Brasília, como Junior Ferreira (sanfona), Valério Xavier e Leander Motta (percussão), Ocelo Mendonça (cordas), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Cairo Vitor (violão), Célio Maciel (bateria), Pablo Fagundes (gaita), Rodrigo Balduíno e Igor Diniz (contrabaixo), Felipe Viegas (teclados), Maísa Amorim (rabeca) e Juninho Di Souza (guitarra).

 

Trajetória

A cantora e compositora brasiliense Nathália Lima começou sua trajetória a partir de rodas de música em família, onde ainda criança, conheceu canções dos principais nomes da música brasileira.  Em 2000, aos doze anos, iniciou o estudo de canto, violão e teoria musical, porém, somente despertou para o canto como profissão no ano de 2008, quando conheceu o Clube da Bossa Nova de Brasília, local em que passou a se apresentar ao lado de instrumentistas como o pianista José Cabrera, os violonistas Jaime Ernest Dias e Paulo André Tavares, o baixista Hamilton Pinheiro, o baterista e percussionista Leander Motta e de intérpretes como Leonel Laterza e Ana Reis.

A partir daí, passou a se apresentar em eventos pela cidade e ingressou na Escola de Música de Brasília para o curso de Canto Popular, onde teve aulas com Alysson Takaki, Danielle Baggio e Maria de Barros, além de workshop com Daniela Stieff Tostes. Como mais uma forma de aprimorar seu canto, participou de diversas edições do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília, onde fez aulas com os renomados intérpretes e professores de técnica vocal Leandro Maia, Ana Luiza, Sueli Mesquita, Fátima Guedes e Clarisse Grova.

Em 2011, lançou seu primeiro EP contendo canções próprias e foi finalista do 22º Prêmio da Música Brasileira, na categoria participação popular, no concurso Vale cantar Noel. No ano seguinte, lançou, com as cantoras Cely Curado, Márcia Tauil e Sandra Duailibe, o cd Elas cantam Menescal, dirigido pelo próprio Roberto Menescal, em que interpreta músicas inéditas e já consagradas do compositor.

Foi uma das finalistas do Festival da Rádio Nacional FM Brasília com as canções de sua autoria O Berro, em 2014 e Romaria e Reis, parceria com Luciana Viana, em 2015.

Em 2017, fez um show ao lado do cantor paulista Renato Braz em homenagem a João Gilberto que aconteceu no Clube da Bossa Nova de Brasília, foi finalista do FENAC – Festival Nacional da Canção, com a música “Barracão”, e é novamente semi-finalista do Festival da Rádio Nacional FM Brasília com “Festa do Destino”, parceria com Letícia Fialho.

Serviço

Lançamento do disco Flor do Tempo, de Nathália Lima
Data: 30 de outubro, às 21h
Local: Clube do Choro de Brasília
Endereço: Setor de Divulgação Cultural, Eixo Monumental – entre a Torre de TV, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o Planetário.
Telefone: 61 3224-0599
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia entrada)
C.I.: 14 anos

Funcionamento da bilheteria
Segunda a sexta-feira: das 10h às 18h. Em dias de show, a bilheteria funciona das 10h às 22h.
Sábados: das 19h às 22h

*Com informações da assessoria

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