A paixão pelos bolachões: A Marcondes&co

Por: Diego Tolentino

 

O mundo digital chegou até a música, e a forma que a consumimos. Se antes nossa relação com as canções era através de uma forma crua e analógica, como  juntar dinheiro, ir à discoteca, escolher um LP, pegar, cheirar, ouvir e ler o encarte, hoje bastam alguns cliques em dispositivos minúsculos para acessar um zilhão de músicas que habitam um mundo virtual que parece ser infinito.

Mas na contramão dessa realidade, há um aumento da valorização do singelo vinil. Essa tendência sempre foi conservada pelo jornalista João Marcondes. Em março desse ano ele iniciou um sebo virtual (e itinerante) de discos, livros, pôsteres e quadrinhos, com seus irmãos Gustavo e Ciro, e assim surgiu  a Marcondes & Co. “O nome é uma ironia com as grandes corporações e lugares como escritórios de advocacia e publicidade (o “& Co” de “and company”)”, revela João.

João já escreveu muito sobre música, pois para vender discos, é preciso conhecê-los. “Eu sou colecionador, venho de uma cultura do vinil, do meu pai, dos meus irmãos. Há também a mania de jornalista de catalogar conhecimento. Então, me vi com milhares de discos, os da minha família”, revela Marcondes. E não apenas isso, ele comprou, em parceria com o irmão, também jornalista, uns milhares de vinis e colocou o bloco na rua. “O resultado tem sido surpreendente, a ponto de o jornalismo tornar-se uma coisa secundária na minha vida”, comemora.

Os discos vendidos pelos irmãos Marcondes são, em 99% dos casos, usados, embora extremamente bem conservados. “Ou seja, é praticamente impossível ser mais consumo consciente do que isso. Dano zero ao meio ambiente. É mais que reciclagem, mas um conceito novo, no qual você agrega valor a coisas que supostamente não tinham mais utilidade alguma”, avalia.

João comenta que um vinil velho vale mais do que quando foi produzido há décadas. Esse produto já entrou no rol de “antiguidade”, como, por exemplo, máquinas fotográficas antigas, de escrever, joias, vasos, pinturas ou o que mais for. “Além disso, trata-se de um produto extremamente emocional. Já vi gente chorar nas minhas bancas de vinil, por encontrar um disco de sua infância, por exemplo. O contato com o público é sempre nesse nível, o da emoção”, comenta.

Foto Divulgação

A princípio, essa valorização dos bolachões pode ser considerada um paradoxo, pois imaginava-se, com o digital, que essa mídia estivesse morta. Mas, recentemente, o principal jornal inglês, The Guardian, noticiou dados da Entertainment Retailers Association (ERA) que mostram que se gastaram 2,8 milhões de euros em discos de vinil e 2,4 milhões em formatos digitais em 2016 na Inglaterra.

Para João, esse fenômeno tem um pouco de efeito “Black Mirror”, a aclamada série de televisão britânica de ficção especulativa que examina a sociedade contemporânea, especialmente as consequências das novas tecnologias. “De repente, você pode ter todas as músicas do mundo num dispositivo ou numa nuvem. Mas será que o ser humano realmente quer isso? Indaga João.

O mercado de vinis usados aquece a economia ao resguardar o nosso tão mal tratado meio ambiente. E continua sendo um produto tangível, que dá um retorno existencial para quem compra sem falar da nostalgia gostosa que se sente ao reviver as músicas de décadas atrás. “Acho que no futuro, com tudo virtual, as pessoas vão procurar lojas de coisas reais, com história e memória. O vinil e os livros certamente farão parte disso. E é isso que tento ser, uma loja de coisas reais, com vida”, finaliza o jornalista.

A Marcondes & CO marca presença em várias feiras independentes em Brasília e atende pelo Facebook. Há ainda a possibilidade de agendar visitas ao showroom para conhecer o acervo de cerca de 2500 discos.

 

Serviço

Marcondes & CO.
Quadra 105 Lote 02 Bloco A Apartamento 306 – Águas Claras
(61) 99551-6555
Facebook: @ marcondesandco

Deixe sua resposta