Parada obrigatória

 

Conhecida por ser a Capital do Rock, Brasília entrou  de vez no roteiro musical do país. Até o final deste ano, os festivais vão agitar o público brasiliense com shows de todos os tamanhos, bolsos e gostos

 

Capital do rock, do reggae, do hip hop, do choro. Brasília foi formada por movimentos migratórios de várias regiões do país e a diversidade de estilos musicais fez da capital federal uma das cidades do circuito musical no país. Os festivais caíram no gosto brasiliense e são hoje os grandes responsáveis por essa invasão de artistas nacionais.

Em fevereiro, Flávio Delli e George Costa, músicos da banda Apráticos, criaram o primeiro festival da nova MPB, o MovA. Foram cinco sextas-feiras de música brasileira apresentadas no Teatro dos Bancários, na 513 sul. Com a abertura de todos os shows pela banda, o festival recebeu nomes como Tiê, Roberta Campos, Marcelo Jeneci, Ana Vilela e Silva.

Apráticos – Foto de Divulgação – Facebook

A qualidade do espetáculo foi privilegiada. Espaço em formato de arena, com plateia ao redor da banda e acústica incrível, o Teatro dos Bancários cirou um clima intimista e muito elogiado. Para Marcelo Jeneci, houve uma troca intensa de energia e o público interagiu bastante. “A atmosfera de cada show é diferente, alguns são mais vibrantes e há diversas manifestações do público. É uma vibe diferente”.

E é ao redor disso que gira o festival e o seu legado. Flávio Delli afirma que nunca houve um festival trazendo a galera da nova MPB e a proposta é construir um momento para festejar a música brasileira na capital federal. “Esse tipo de música tem uma preocupação em refletir, ser mais profunda, ser mais poética. Uma música que se preocupa com os detalhes. O legado do Movimento Aprático é trazer um outro olhar pra vida.Tem o cotidiano, as correrias, os estresses, o mundo prático, a vida prática, mas a nossa ideia é fazer uma pausa e contemplar a magia da vida”.

Brasília, como uma miniatura do país, traz a mistura de diferentes estilos e ritmos musicais. Dessa forma, a produção da nova MPB na capital vem regada de olhares plurais, influências de diferentes partes do país e uma mistura surpreendente por conta do ambiente criativo que a cidade criou. Para George Costa, brasiliense e músico, existem poucos espaços para poder se expressar e a limitação da Lei do Silêncio é um fator limitador. “A relação do público com o artista é muito boa e as diferentes referências em Brasília permitem que a nova MPB explore ainda mais essa mistura, tornando a produção musical intensa na capital”, afirma.

Amigos de infância, Flávio e George pretendem realizar mais edições do festival em Brasília e colocar ainda mais esse universo de contemplação da poesia da arte e da vida. Pretendem também intensificar a experiência musical com outros elementos artísticos e culturais do mundo aprático.

 

A Praia de Brasília

 

Com inspiração nas festas Bonfim e Santa Copa, ambas realizadas em 2014, o projeto Na Praia nasceu em 2015, com um formato de festival em uma praia artificial, produzido pela R2 Produções. Com cidades famosas da Europa como Ibiza, da Espanha, e Santorini, da Grécia, nomeando as diferentes festas, o evento vai misturar Sertanejo, Axé, Rap e Forró nos sábados, entre os dias 1º de julho e 27 de agosto, na Orla do Lago. O festival de música inclui shows de Ivete Sangalo (05/08), Jorge e Mateus (19/08), O Rappa (29/07), Aviões do Forró (22,07) e Gusttavo Lima (15/07).

A edição de 2017 terá uma pegada ecológica e sustentável. O festival terá copos ecológicos, ecobags, papéis biodegradáveis e o reaproveitamento da água. A intenção dos organizadores é fazer um grande evento com a proposta de lixo zero. Um outro ponto trabalhado no evento é a questão da acessibilidade. Cardápios em braile, melhoria na estrutura para facilitar o acesso e a contratação de pessoas com necessidades especiais são algumas das medidas adotadas pelo evento.

Com expectativa de público de 7 mil pessoas para cada megashow, o evento também pretende realizar outras atividades. Durante as quintas de agosto, o complexo recebe diferentes atrações culturais, as sextas serão dias para happy hour e o domingo, o dia oficial de praia com programação para toda a família. Com ingressos variados de R$ 50 a R$ 1700 reais, o Na Praia promete trazer o agito das cidades européias para o centro do país.

 

Festival de pocket shows

 

Um grupo de músicos se reuniu no já fechado Bendito Benedito para realizar quatro pocket shows. Perceberam que faltava um certo espaço para a música em Brasília. Foi então que, em novembro de 2015, aconteceu o Brasília Sessions #1.

O público lotou o espaço e já pediram, assim como o nome do primeiro evento, a continuidade desse pequeno festival. O projeto cresceu com uma equipe de quatro organizadores Pedro Rodolpho, Marcella Imparato, Henrique Cintra e Victor Neves e ganhou outra dimensão, tornando-se conhecido e aguardado pelos brasilienses.

Como uma reação ao fechamento de diversas casas que divulgavam a cultura e a música brasiliense, produtores e artistas perceberam que era necessário organizar as apresentações e produções para que os eventos fossem valorizados. ‘‘Era preciso ter um diferencial e o Brasília Sessions é um exemplo de projeto assim. Pra mim, o cenário musical de Brasília é daqui pra melhor’’ afirmou Henrique Cintra, estudante de design e um dos organizadores do evento.

De acordo com os organizadores, o formato do festival permanecerá o mesmo. A ideia estreitar os laços com público, que conhecerá a cena brasiliense e perceber que existe um nicho de boa qualidade, que talvez não veriam em outro lugar. ‘‘O propósito não é sair disso, mas expandir. A curadoria é guiada pelo artista principal e há um diálogo com os outros artistas, sendo perceptível pontos de convergência entre uma banda e outra. O mote é o equilíbrio do que é produzido aqui com o que vem de fora, para estimular esse intercâmbio’’, diz Henrique.

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